Mudança na avaliação de um doutorado

Um problema que me preocupa é a desconexão entre a natureza evolutiva da pesquisa e do ensino nas universidades e o processo relativamente estagnado de avaliação de um doutorado. Embora aspectos significativos da formação de doutoramento permaneçam enraizados nas práticas antigas, com enfoque numa longa dissertação e exame oral, as necessidades de reforma estão a crescer. O sistema atual é criticado por falta de transparência em uma defesa pontual e por não proporcionar aos diplomados as competências necessárias para uma força de trabalho moderna, onde a maioria dos titulares de doutoramento encontra emprego fora do meio acadêmico. Exploram-se caminhos alternativos de doutorado, como doutorados profissionais que oferecem uma abordagem mais flexível e orientada para a indústria mas a avaliação continua a antiga. É importante que se faça uma avaliação formal de competências transferíveis juntamente com a dissertação, tal reforma prepararia melhor os doutorados para o sucesso em diversas carreiras. Apesar da transformação significativa nos métodos de pesquisa e ensino nas universidades, a avaliação do doutoramento permanece enraizada em práticas tradicionais centradas numa tese final e num exame oral. Destaca-se a crescente exigência de reforma no ensino de doutorado. O sistema atual não consegue dotar os diplomados de competências transferíveis, nem tem condições de avaliar estas competências, valiosas na força de trabalho atual onde a maioria dos titulares de doutorado encontra empregos fora do meio acadêmico. Defendo que a adoção de técnicas de avaliação inovadoras, muito utilizadas em outros níveis educacionais, deve ser transferida para a avaliação dos doutorados. Os objetivos de ensino e pesquisa claramente definidos, que descrevem as metas e os métodos de avaliação ao longo do programa, podem aumentar a consistência, a justiça e a transparência na formação de doutorado. Da mesma forma, a avaliação formativa, onde os supervisores oferecem feedback obrigatório e documentado sobre o progresso dos alunos ao longo do programa, pode promover a melhoria contínua e enfrentar os desafios desde o início. Entendo as limitações atuais pois muitos orientadores não possuem qualificações formais de ensino e podem não estar familiarizados com os avanços da pesquisa educacional. Embora possa não seja viável exigir qualificações docentes para todos os orientadores, incentivá-los a envolverem-se no estudo sobre a educação pode melhorar significativamente as suas interações com os estudantes. Existem diversas necessidades de orientação e de forma de ensino e pesquisa de diferentes disciplinas e é necessária a existência de discussões contínuas entre orientadores e comunidades temáticas para determinar as abordagens de avaliação mais adequadas para cada área. Defendendo um processo de avaliação de doutorado mais estruturado, conseguido através de uma colaboração mais estreita entre pesquisadores educacionais, orientadores de doutorado e administradores de programas de doutorado. Esta abordagem colaborativa beneficiará todas as partes interessadas – orientadores, estudantes em transição para o mercado de trabalho e as próprias universidades.

(Acessos 438)