O início do PPGC-UFRGS (1973)

Atualizado há 10 meses


O grupo inicial da Informática foi criado junto ao CPD e era formado, majoritariamente, por estagiários recrutados dentre os estudantes da UFRGS que se destacaram nos cursos de treinamento oferecido pela Cia. IBM. Após, foi iniciado um programa de qualificação pelo envio de estagiários recém graduados para realizar o mestrado na PUC-Rio e na UFRJ. Ao retornarem, reuniram-se ao grupo de hardware que atuava em instrumentação eletrônica no Instituto de Física, criando em 1972 o Curso de Pós-Graduação em Ciência da Computação (CPGCC) formando o grupo inicial de professores. O espectro das áreas de trabalho era bastante amplo, abrangendo hardware e software. A primeira turma da pós-graduação em computação iniciou seus estudos em 1973. A partir de 1975 foram formados os primeiros mestres desta primeira turma, muitos dos formandos eram professores de computação na UFRGS, mesmo antes de terem uma pós-graduação. Naquela época professores com mestrado podiam ser credenciados como orientadores de pós-graduação!

Lista dos professores iniciais do PPGC da UFRGS

Celso Müller, Dr.
Clésio Saraiva dos Santos, M. Sc.
Daltro José Nunes, M. Sc.
Genaro Celiberto, M. Sc.
Harvey N. Rutt, Ph. D.
John D. Rogers, Ph. D.
José L. Medero, M. Sc.
Juergen Rochol, M. Sc.
Luiz Fernando R. Centeno, M. Sc.
Marcus G. Zwanziger, Dr.
Paulo Alberto de Azeredo,M. Sc.
Philippe Navaux, M. Sc.
Sérgio M. Bordini, M. Sc.

Fisicamente o CPGCC localizou-se nas antigas instalações do CPD, térreo da Escola de Engenharia da UFRGS, que ficaram disponíveis com a transferência do IBM 1130 e dos analistas e programadores para a nova sede no Campus Médico. Na mesma época, 1972, foi comprado um computador de grande porte, o Burroughs B 6700 (Fig. 1), com 1 M de memória e processador de 1 MHz instalado no novo prédio do CPD. Este computador, reforçando o parque de computadores da UFRGS, foi elemento essencial no desenvolvimento do curso de pós-graduação devido a sua grande capacidade de processamento aliada à possibilidade de acesso aos programas fonte, tanto do sistema operacional MCP quanto dos compiladores e demais programas do fabricante. De noite o espetáculo na sala do sistema era impressionante com centenas de mini-lâmpadas piscando (imaginem a manutenção!) Os registradores eram mapeados para um painel mostrando os valores “0” ou “1” dos bits acionados. Haviam, também, sensores do posicionamento das fitas e a leitura óptica dos cartões era realizada com luz visível.

b6700 01Fig. 1 – O B 6700 a noite

Em 1972 a Divisão de Computação do CPD foi transferida para ao Campus Médico, no espaço liberado foram instaladas a Biblioteca (Fig. 2) e as salas dos professores e alunos em tempo integral (Fig. 3).

biblioteca ppgc 2biblioteca ppgc 1
Fig. 2 – O acervo inicial e a mesa de leitura da biblioteca do CPGCC (1973)

 Em 1973/74 falta espaço para sua organização e o acervo é anexado ao da biblioteca da Escola de Engenharia. Quando volta para a Divisão Acadêmica do CPD, no térreo, ocupa a sala do computador, que havia sido transferido para o atual prédio do CPD na rua Ramiro Barcelos. No antigo espaço ocupado antes pelo CPD ficou instalada a Divisão Acadêmica do CPD, que correspondia a um Departamento de Computação. Havia apenas uma mesa de leitura para os professores e alunos (Fig. 2 à esquerda). O acervo: uma coleção inteira de livros e manuais para atender as necessidades de informação de alunos dos cursos de pós-graduação (PG em Ciência da Computação – coordenado pelo Prof. Daltro Nunes), de Formação de Tecnólogos em Processamento de Dados (Projeto 15 – coordenado pela Profª Magda Bercht), e de graduação que cursavam disciplinas de processamento de dados e dos técnicos da Divisão de Computação do CPD. O acervo bibliográfico, disponível na época, estava armazenado nas duas estantes e no armário que aparecem na foto Fig. 2 à direita, e naquele época não havia Internet! Complementarmente, existia a possibilidade de trabalhar com os manuais de software da Burroughs e da IBM, disponíveis no CPD. Eram tempos heroicos, para muitos estudos de compiladores era necessário analisar o código fonte dos compiladores do B 6700. O nome: Biblioteca do CPD/PGCC.

 

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Fig. 3 – Professores Daltro J. Nunes, ao fundo, e José M. V. de Castilho

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Fig. 4 – Sala de digitação (térreo do atual prédio da Engenharia Elétrica)

Visando acomodar seu crescente acervo e serviços, numa época pré-digitalização de documentos, em 1978 a Biblioteca transfere-se novamente. Agora para o térreo do Instituto de Eletrotécnica. Em 1989 passa a denominar-se Biblioteca do Instituto de Informática. Em 1991 o acervo é transferido para o Campus do Vale e instalado, provisoriamente, em 3 salas do prédio da administração do Instituto, a mudança para sua área atual ocorre em 1996.

Naquela época, a programação era bastante diferente em comparação com os métodos modernos. Os programas eram escritos manualmente, geralmente em cartões perfurados, usando uma linguagem de programação adequada para a máquina específica. Esses cartões eram então enviados ao Centro de Processamento de Dados (CPD) para serem processados. O CPD era responsável por ler os cartões perfurados e executar os programas neles contidos. Os computadores da época, como o IBM-1130 e o B-6700, eram muito diferentes dos computadores atuais em termos de capacidade de processamento e armazenamento de dados. Eles tinham recursos limitados e processavam informações de maneira muito mais lenta. 

Devido à limitação de recursos, as compilações e execuções dos programas eram agendadas para serem executadas durante a noite, quando o uso do computador era menos intenso. Isso significava que os programadores precisavam esperar até o dia seguinte para obter os resultados de suas compilações e execuções. Essa espera tornava o processo de desenvolvimento de software mais demorado e trabalhoso. Além disso, como os programas eram escritos em cartões perfurados, qualquer alteração ou correção exigia que os programadores fizessem modificações físicas nesses cartões, o que também era um processo tedioso e propenso a erros. Portanto, o estudo de programação naquela época envolvia um ciclo de desenvolvimento mais lento e menos iterativo em comparação com as práticas atuais. A seguir um exemplo de cartão perfurado.

cartao perfurado


Com a consolidação do programa começamos a discutir e a participar de órgão colegiados e a debater a evolução da PG em Computação no Brasil. Para estimular a visão híbrida da origem do PPGC que aliava grupos de software e hardware criou-se o Seminário de Software e Hardware – SEMISH – que, posteriormente, evoluiu para ser o CSBC.


Fig. 5 – Profs. Azeredo e Palazzo preparando o material de divulgação em 1975
Divulgação da primeira turma do PPGC

Fig. 6 – Cartaz de divulgação da Turma de 1976

A divulgação do CPGCC era uma atividade essencial. Aqui, os professores Azeredo e Palazzo, na biblioteca, preparam o material que será utilizado para a divulgação do Curso de Mestrado para a turma que ingressará em 1976 (Fig 5). Um grande número de cartazes e folhetos com o programa eram distribuídos por Universidades em todos os estados e nos países vizinhos pois não havia a Web. No cartaz para a Turma de 1976 procurou-se evidenciar a forte interação entre o software e o hardware. Isto foi obtido pela superposição de dois terminais de fita magnética, no terminal branco foram superpostas perfurações de cartões e no terminal vermelho componentes eletrônicos, Fig. 6. Hoje ninguém entenderia mais este simbolismo pois os elementos tecnológicos utilizados estão completamente esquecidos. 

Fig. 7 – Curso sobre “Organização de Arquivos” apresentado pelos Profs. Castilho (foto da esquerda) e Palazzo (primeiro na esquerda da foto da direita) na UF da Paraíba em Campina Grande – dezembro de 1975

Outra atividade de divulgação consistia na apresentação de cursos em outras IES. Estes cursos, além de promover a atualização de professores e alunos, serviam como uma demonstração de nossas atividades de ensino, Fig. 7.

Lista dos formados na primeira turma do PPGC da UFRGS

Bertilo Frederico Becker
Carlos Arthur Lang Lisbôa
Francisco Bernardo Moser Filho
José Palazzo Moreira de Oliveira
Liane Margarida Rockenbach Tarouco
Maria Lúcia Cunha Blanck
Nina Edelweiss
Renato Machado de Brito
Tiarajú Vasconcelos Wagner
Villi Vitório Longhi

Todos os formandos da Primeira Turma do PGCC, ao longo de sua carreira, foram professores de Computação. Alguns já lecionavam na graduação antes e durante o mestrado.

(Acessos 979)