A qualidade do Ensino é função do Número de Horas-Aula?
Em agosto de 2011 postei um artigo no blog no que causou uma discussão intensa. O tema era sobre a quantidade de alunos que trabalham durante o curso. Foram 27 mensagens diretas, 11 comentários no blog e 1635 acessos ao artigo! Depois disto surgiu uma discussão no Instituto sobre o número de aulas de nossos cursos de computação (no Brasil). solicitei colaborações e opiniões para tratar o assunto com mais abrangência. A participação da comunidade foi além da minha expectativa: 29 comentários até hoje. O conteúdo foi tão rico que estou tratando em duas crônicas, a primeira acabo de publicar analisando o problema tentando fazer um diagnóstico: “A qualidade do Ensino é função do Número de Horas-Aula?“. Na próxima vou apresentar algumas sugestões para mudarmos a forma de ensino.

Olá Prof.
Duas breves opiniões:
1. a UFRGS deve cada vez dedicar-se a pesquisa e qualificar os seus alunos a buscarem respostas por si mesmos, principalmente nas disciplinas da metade do curso em diante. No início, é necessária alguma adaptação do colégio para a universidade, depois, que os alunos se adaptem. As particulares não podem correr este risco e, por isso, preferiram modificar-se. Como muitas vezes vi alunos dizerem “esta universidade (qq uam das privadas) é só colegião necessário para obter um diplona, mas é igual ao meu colégio anterior”.
2. a UFRGS (e o Brasil) deve buscar o mercado mundial, não o de Porto Alegre. Ter um doutorado é ponto positivo para conseguir novos empregos em empresas de tecnologia que competem no mercado mundial. Digo por experiência própria, isto já funcionou comigo duas vezes. Na última entrevista que fiz, com o diretor de uma empresa financeira (ele tem doutorado em Física no MIT), passamos meia-hora discutindo a minha tese de doutorado (em Sistemas Geográficos) e como ela poderia ser adaptada para a empresa. Ele deve ter gostado, pq me contratou. Mas já avisou q 25% dos colegas de empresa tem doutorado.
Outro exemplo: várias empresas financeiras estão procurando doutores/mestres q conheçam VHDL para implementar os algoritmos de trading em hardware e baixar o tempo de transações de 10^-4 para 10^-6 segundos. Se olharem apenas o mercado de Porto Alegre, ninguém vai querer ensinar/aprender VHDL. Mas empregos de seis dígitos estão disponíveis no mercado mundial.
E apenas para responder a perguntar: o número de horas/aula é apenas um componente secundário na qualidade do ensino. Fundamental é haver um projeto de longo prazo seguido de maneira consistente e persistente por todos professores.
[]s,
Miguel Fornari
Prezado Miguel,
Gostei muito de tuas considerações. Certamente tocaste no ponto fundamental: “Para o Mundo e não para Porto Alegre”. Inclusive teu exemplo mostra a nova realidade, precisamos pensar o futuro e não na formação de mão de obra imediata (quer dizer: cursos de treinamento em tecnologias) pois só o que é bem fundamentado permanece.
[]‘s
Palazzo