Documentos sobre a história da CC na
UFRGS e no Brasil
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Uma
breve história do Instituto
de Informática da UFRGS 1968-2000
Versão inicial escrita por:
Clesio
Saraiva dos Santos & José
Palazzo Moreira de Oliveira, as
atualizações posteriores e links para
outras páginas são de autoria do último autor.
As origens do Instituto de
Informática remontam ao final dos anos 60,
quando foi criado o Centro de Processamento de
Dados (CPD) da UFRGS, com a missão de
organizar e difundir a utilização do computador
na Universidade. Inicialmente o CPD foi equipado
com um computador IBM-1130. Os primeiros 10
anos foram uma fase de consolidação e
formação da equipe, o processo que levou a
criação do CPD iniciou-se em 1961 e é muito
bem relatado no discurso do Prof. Manoel
Luiz Leão quando das comemorações desta
primeira década (1978). Este evento culminou com
um jantar na antiga Sociedade Germânia, onde hoje
localiza-se a Agência Moinhos de Vento do Banco
Bradesco.
Constituída a equipe de trabalho,
formada majoritariamente por estagiários
recrutados dentre os estudantes da Universidade
que se destacaram nos cursos de treinamento
oferecido pela Cia. IBM, foi iniciado um programa
de qualificação pelo envio de estagiários
recém graduados para mestrado na PUC e na UFRJ,
no Rio de Janeiro. Ao retornarem, as duas
primeiras gerações de mestres reuniram-se ao
grupo de hardware que atuava em instrumentação
eletrônica no Instituto de Física, criando em
1972 o Curso de Pós-Graduação em Ciência da
Computação (CPGCC) denominação transformada,
posteriormente para Programa de
Pós-graduação em Computação (PPGC) incluindo o
Mestrado Acadêmico e o Doutorado. Durante alguns
anos foi mantido o Mestrado Profissionalizante,
descontinuado devido a grande dificuldade de
inserção das atividades dos alunos em seu
trabalho profissional.
O espectro das áreas de
especialização era bastante amplo, abrangendo
hardware e software, o que se mantém até a
presente data como uma das características que
destacam este centro de excelência. Para
estimular o trabalho multidisciplinar foi
organizado, internamente em 1974, um Seminário Integrado de Software e
Hardware. A partir de 1975 foram formados os
primeiros mestres, integrantes da turma de alunos
do CPGCC que havia ingressado em 1973. Neste
mesmo ano o CPGCC organizou o II Seminário
Integrado de Software e Hardware - SEMISH - como uma
atividade de abrangência nacional. A partir de
sua quarta edição o SEMISH passou a ser
promovido pela Sociedade Brasileira de
Computação - SBC. Com o sucesso desta
iniciativa o CPGCC e, posteriormente, o Instituto
de Informática, passaram a promover uma série
de congressos e conferências nacionais e
internacionais.
No ano de 1972 foi criado o Curso de
Formação de Tecnólogo em Processamento de
Dados (CFTPD), integrante do Projeto 15 do
Ministério da Educação e Cultura, e elaborados
os primeiros projetos de pesquisa, submetidos ao
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico -
BNDE, pleiteando apoio financeiro do FUNTEC.
Ainda em 1972, a Universidade
adquiriu seu primeiro computador de grande porte,
um Burroughs B-6700, que foi instalado
em novo prédio junto ao Hospital de Clínicas.
Ao mesmo tempo, foi alterada a estrutura
administrativa do CPD, contemplando duas
divisões: a Divisão de Computação,
responsável pela prestação de serviços de
processamento de dados à Universidade,
localizada no prédio novo, e a Divisão
Acadêmica (posteriormente denominada
Departamento de Informática), responsável pelas
atividades de ensino e pesquisa em Informática,
localizada nas antigas instalações do CPD,
junto à Escola de Engenharia.
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Neste período, o Governo Federal começava
a consolidar a idéia de uma Política Nacional de
Informática, que teria na Reserva de Mercado um
de seus principais instrumentos. Foi então incentivada a
criação de empresas nacionais, às quais foi reservado
o mercado brasileiro de minicomputadores.
Uma
destas empresas, a EDISA - Eletrônica Digital S.A., foi
criada no Rio Grande do Sul, usando como importante
argumento, no processo de seleção, a existência, no
Estado, de um centro de formação de recursos humanos de
alto nível, na área de Informática, na Universidade
Federal do Rio Grande do Sul.
Para
constituir seu quadro técnico, a EDISA recrutou
estudantes e professores do CPGCC, que levaram para a
empresa os conhecimentos e os resultados de suas
pesquisas na Universidade, alguns dos quais deram origem
a produtos desenvolvidos e comercializados pela EDISA.
Após
a criação da EDISA, várias outras empresas foram
criadas por egressos do CPGCC, do CFTPD e do CPD, atuando
em áreas diversificadas de software e Hardware, com
alguma concentração em Comunicação de Dados.
Em
meados da década de 70, foram enviados os primeiros
professores para doutoramento no Brasil e no exterior,
como parte do permanente esforço de capacitação do
corpo docente da área de Informática.
Com o
retorno dos doutores, os cursos e os projetos de pesquisa
experimentaram um salto de qualidade, sendo fortemente
incrementado o intercâmbio com importantes
instituições estrangeiras, especialmente aquelas
situadas na Europa, mais especificamente na França e na
Alemanha.
A
qualificação do grupo, que já se destacava no cenário
nacional pelo volume e pela qualidade da produção e das
publicações, fez com que se elevasse ainda mais o
nível dos trabalhos e dos resultados, que passaram a
incluir, em boa parcela, publicações internacionais,
especialmente em congressos de bom nível.
Registrou-se,
igualmente, substancial incremento das ações em
cooperação com países da América do Sul,
especialmente através de atividades de treinamento
oferecidas por professores e técnicos da UFRGS a
estudantes e profissionais dos demais países. Parte
desta cooperação foi desenvolvida com apoio da OEA, em
projetos que resultaram inclusive no desenvolvimento
cooperado de um conjunto de ensino (software e hardware)
de arquitetura de computadores.
No
final dos anos 80 e início dos anos 90, ocorreram
transformações fundamentais e extremamente positivas na
área de Informática da UFRGS.
Em
1989 foi criado o Instituto de Informática, como unidade
agregadora das atividades de ensino, pesquisa e
extensão, em todos os níveis, no âmbito da
Universidade. A partir da criação do Instituto, foi
instalada a respectiva estrutura administrativa,
contemplando adequadas formas de representação e
operação, tanto no âmbito interno como no externo.
Em
meados de 1991 foi iniciado o processo de transferência,
das precárias instalações físicas junto à Escola de
Engenharia, para as novas instalações recém
construídas no Campus do Vale, perfazendo um total de
cerca de 4.000 m2 de área.
A nova
área física permitiu a instalação dos equipamentos
recebidos de várias fontes, especialmente do CNPq e da
FINEP, promovendo um notável salto de qualidade nas
condições de trabalho oferecidas a professores,
funcionários e alunos do Instituto. As novas
condições, aliadas à qualificação do corpo docente,
permitiram que em 1989 fosse criado o nível de doutorado
no CPGCC, que hoje alcançou o patamar de produção de
doutores dos outros dois doutorados consolidados do
Brasil nesta área (PUC-Rio e UFRJ).
Neste
período, as agências de fomento brasileiras, como as do
MCT, especialmente o CNPq, e a FAPERGS, no Rio Grande do
Sul, passaram a incentivar ações das universidades em
cooperação com empresas, visando o geração e a
transferência de tecnologia, como forma de aumentar a
competitividade das empresas brasileiras no mercado
internacional. Mais uma vez destacou-se o Instituto de
Informática da UFRGS, como centro irradiador de ações
envolvendo as empresas e as instituições de ensino e
pesquisa da Região Sul e do Mercosul.
Junto
às empresas, destacam-se as atividades de treinamento e
de desenvolvimento de projetos, muitos deles apoiados
pelas agências de fomento. Importante, também, tem sido
a participação do Instituto no Núcleo de Software do
Rio Grande do Sul - SOFTSUL, que integra o Programa
SOFTEX. Presentemente, importante iniciativa é
representada pelo Centro de Empreendimentos em
Informática,
incluindo uma incubadora tecnológica.
Como
reconhecimento pela atuação do Instituto no campo da
cooperação com empresas, a ASSESPRO - Associação das
Empresas Brasileiras de Software e Serviços de
Informática, conferiu à Universidade Federal do Rio
Grande do Sul o Prêmio ASSESPRO 1992, categoria Escola
Superior, tendo sido a escolha feita por votação entre
todos os associados da entidade em âmbito nacional. Em
2006, o Instituto de Informática da UFRGS recebeu o
Prêmio Entidade Parceira da Associação das Empresas
Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e
Internet Regional RS ASSESPRO-RS. Este Prêmio é destinado
a homenagear a entidade que se destacou como protagonista
máximo, contribuindo efetivamente com a construção de
uma visão estratégica de crescimento para a Capital do
Estado do Rio Grande do Sul.
A
Informática da UFRGS colabora com a implantação no Rio
Grande do Sul de programas estratégicos do governo
federal. Como exemplo temos o Programa Nacional de
Centros de Supercomputação, cuja primeira implantação
deu-se na UFRGS com a instituição do Centro Nacional de
Supercomputação, implantado com apoio da FINEP em junho
de 1992. Este centro atende 75 institutos de P&D de
12 estados da federação, e instituições do Cone Sul
conveniadas com a UFRGS, em áreas aplicadas. A área de
Informática da UFRGS coordena a implantação e
operação do ponto de presença da RNP (desde 1989) e da
rede estadual de C&T do Estado (Rede Tchê, iniciada
em 1992), colaborando fundamentalmente com a consultoria
e recursos humanos para implantação dos programas
prioritários do MCT, como a RNP, o ProTeM-CC
CNPq, e o
Softex 2000 CNPq.
No
âmbito das instituições de ensino pesquisa, o
Instituto tem atuado como fonte de recursos humanos
qualificados, egressos dos cursos de graduação e
pós-graduação, que constituem parte significativa do
corpo docente mais qualificado das instituições da
Região Sul.
Mais
recentemente, o Instituto tem dinamizado suas ações
neste campo, pelo desenvolvimento de projetos de pesquisa
em cooperação com vários grupos emergentes, bem como
pela promoção dos mestrados remotos, que
funcionam junto a essas instituições, com o corpo
docente constituído por professores do Instituto.
Com a
conclusão das novas instalações, o Instituto passou a
dispor de adequado espaço físico para a Biblioteca,
melhorando ainda mais as condições de trabalho
oferecidas aos estudantes e aos profissionais que buscam
o Instituto e sua biblioteca como forma de manterem-se
atualizados, bem como no desempenho de suas atividades em
projetos de cooperação universidade/empresa.
Da
mesma forma, os setores de suporte técnico e
administrativo ganharam instalações definitivas,
permitindo com isto a instalação da Incubadora e das
demais atividades de cooperação em espaço amplo e
próprio.
Ao
longo das últimas décadas, a Universidade Federal do
Rio Grande do Sul vem construindo e consolidando uma
história que a coloca em posição destacada no cenário
nacional, na área de Informática, participando
ativamente, em seu campo de atuação, de todos os
eventos importantes que marcaram este período.
É
inequívoca a posição de liderança do Instituto de
Informática, como pólo irradiador, no campo do ensino e
da pesquisa, na Região Sul e no Mercosul, formando
recursos humanos em seus cursos regulares, promovendo
treinamento para empresas e instituições de ensino e
pesquisa no País e no exterior, desenvolvendo projetos
de pesquisa em cooperação com empresas e instituições
emergentes, mantendo convênios com instituições
estrangeiras e nacionais, promovendo eventos de âmbito
nacional e internacional, assessorando as principais
agências de fomento nacionais, através de seus
professores, bem como caracterizando sua atuação no
amplo espectro da área de Informática, tanto em software
quanto em hardware.
Pela
história construída nestes anos e pela liderança que
exerce em sua área de influência, o Instituto chega à
presente data, de fato, como Centro de Excelência em
Informática da Região Sul e do Mercosul.
por: José Palazzo M. de
Oliveira
O
grupo inicial da Informática foi criado junto ao CPD e
era formado, majoritariamente, por estagiários
recrutados dentre os estudantes da UFRGS que se
destacaram nos cursos de treinamento oferecido pela Cia.
IBM. Após, foi iniciado um programa de qualificação
pelo envio de estagiários recém graduados para realizar
o mestrado na PUC e na UFRJ, no Rio de Janeiro. Ao
retornarem, reuniram-se ao grupo de hardware que atuava
em instrumentação eletrônica no Instituto de Física,
criando em 1972 o Curso de Pós-Graduação em Ciência
da Computação (CPGCC) formando o grupo inicial de professores. O espectro das áreas de
trabalho era bastante amplo, abrangendo hardware e
software.
Fisicamente
o CPGCC localizou-se nas antigas instalações do CPD,
térreo da Escola de Engenharia da UFRGS (foto do vitral) , que ficaram disponíveis
com a transferência do IBM 1130 (Fig. 1) e dos analistas e programadores
para a nova sede no Campus Médico.
Fig. 1- IBM 1130 no Campus Centro e
no Campus Médico
Na
mesma época, 1972, foi comprado um computador de grande
porte, o Burroughs B-6700 (Fig. 2), com 1 M de memória e
processador de 1 MHz instalado no novo prédio do CPD.
Este computador foi elemento essencial no desenvolvimento
do curso de pós-graduação devido a sua grande capacidade de processamento aliada à possibilidade de
acesso aos programas fonte, tanto do sistema operacional
MCP quanto dos compiladores e demais programas do
fabricante. De noite o espetáculo na sala do sistema era
impressionante com centenas de mini-lâmpadas piscando (imaginem a
manutenção!)
Os registradores eram mapeados para um painel mostrando
os valores "0" ou "1" dos bits
acionados. Haviam, também, sensores do posicionamento
das fitas e a leitura óptica dos cartões era realizada
com luz visível. Veja a figura a direita abaixo.
Fig. 2 - O Burroughs 6700
Em
1972 a Divisão de Computação do CPD foi transferida
para ao Campus Médico, no espaço liberado foram
instaladas a Biblioteca (Fig. 3) e as salas dos
professores e alunos em tempo integral (Fig. 4).
Foto 3 - O acervo inicial e a mesa
de leitura da biblioteca do CPGCC (1973)
O
acervo bibliográfico, disponível na época, estava
armazenado nas duas estantes e no armário que aparecem
na primeira foto da Fig. 3, e naquele época não havia
Internet! Complementarmente, existia a possibilidade de
trabalhar com os manuais de software da Burroughs e da
IBM, disponíveis no CPD. Eram tempos heróicos, para
muitos estudos de compiladores era necessário analisar o
código fonte dos compiladores do B 6700. Mais
informações sobre a história da Biblioteca.

Fig. 4 - Professores Daltro
J. Nunes, ao fundo,
e José M. V. de Castilho
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Fig. 5 - Sala de digitação
(térreo do atual prédio da Engenharia
Elétrica).
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Os
programas eram digitados e perfurados em cartões, sendo
estes enviados ao CPD para serem lidos e processados pelo IBM-1130 ou pelo B-6700. Nas laterais da sala (Fig.
5) podem ser vistas as perfuradoras de cartões, no
centro há uma mesa para a verificação e montagem dos
lotes (batches) de cartões. A seguir um exemplo de cartão
perfurado.

A primeira turma da pós-graduação em
computação iniciou em 1973. A partir de 1975 foram
formados os primeiros mestres pelo CPGCC. Na época foi
realizado um esforço bastante grande para a divulgação do novo curso nas diversas Universidades
da Região.
Com a
consolidação do programa começamos a discutir e a
participar de órgão colegiados e a debater a evolução
da PG em Computação no Brasil. Já desta fase de
maturidade surge o documento: Evolução da PG no Brasil, Câmara de PG
UFRGS, 1996, onde tentamos traçar uma perspectiva para a
década de 96-05. É interessante a leitura e a análise
deste documento para acompanhar o que se passou e a nossa
capacidade de previsão e, principalmente, de ação.
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