| Eis como será a viagem à Lua: a
expedição pioneira, composta de 50 cientistas e técnicos, partirá da estação
flutuante em três foguetes de estranho formato, porém altamente
eficientes. Como toda a segundo etapa do vôo se processará através de espaço
que não possui ar para impedir deslocação, os três aparelhos não têm
necessidade de obedecer ao modelo aerodinâmico. Dois deles, do tipo
de carga, viajarão carregados de reserva de combustível bastante
para um voo ida-e-volta de 5 dias, com um percurso aproximado de 768.000 km. O
terceiro aparelho, que não retornará, deverá transportar combustível suficiente
apenas para a viagem de ida, completando-se o restante da capacidade de
transporte com equipamentos e suprimentos, com o fim de proporcionar aos
cientistas todo o conforto durante uma estada de 6 semanas na Lua. 33 minutos após a partida da estação
flutuante, os 3 foguetes deverão alcançar uma velocidade de 30.000 km
horários. E então os motores serão desligados, quando os aparelhos simplesmente
cairão na direção da velha e poética Lua.
Não se pense que tamanha viagem poderá
ser feita sem cuidadoso planejamento. Para começo, é preciso escolher a rota
conveniente. E construir os aparelhos. E saber onde pousar. Mas a ciência
garante que o mirabolante projeto estará em execução dentro de 25 anos. Pois
não há problemas em tal viagem aos quais os cientistas não possam oferecer
resposta desde já.
Onde pousar na Lua? Após
minucioso exame das condições topográficas, a escolha do local de pouso
será feita. Para isso, haverá um ou mais vôos de reconhecimento. Um
pequeno foguete, circulando entre a, estação flutuante e a Lua,
sobrevoará o nosso satélite, e, de uma altura de 80 km, colherá fotos da
superfície esburacada de crateras de meteoros. Nesse vôo preliminar deverá
ser efetuado pela primeira vez o reconhecimento da parte de trás da Lua, jamais
visível da Terra.
O estudo detalhado das fotos indicará o local
de pouso. Nossa escolha ficará limitada a diversas exigências técnicas.
Possuindo a Lua cerca de 23 milhões de quilômetros quadrados — ou
aproximadamente 1/13 da superfície da Terra — pelo que sabemos, não
será possível explorar senão pequenas áreas em separado, e, quando muito,
uma só região com 800 km de diâmetro.
Não podemos pousar no equador da Lua —
porque a temperatura ao meio-dia supera o ponto de fervura da água, ou seja,
100 graus centígrados. Também não podemos pousar em região montanhosa pelo
fato de necessitarmos estabelecer uma base e manter contato pelo rádio com a
Terra. Nem também podemos pousar no descampado, porque a Lua é constantemente
bombardeada por nuvens de meteoros minúsculos, disparados em velocidade
espantosa.
Assim, teremos de optar por um local mais
abrigado.
Existe um trecho da superfície da Lua que
satisfaz todas as exigências e — a não ser que um vôo de reconhecimento a
baixa altura indique outro ponto — será onde pousaremos. E' uma área
denominada Sinus Roris ou Baía do Orvalho, um prolongamento ao
norte da planura, chamada Oceanus Procellarum (ou Oceano da Tormenta, já
que os primitivos astrônomos pensavam que as grandes planuras da Lua eram
grandes mares). O Dr. Fred L. Whipple, catedrático de Astronomia da
Universidade de Harvard, diz que Sinus Roris é ideal para local de
pouso, porque fica a 800 quilômetros do Pólo Norte da Lua, com uma
temperatura, durante o dia, de cerca de 40 graus; terreno razoavelmente plano
para local de pouso, conquanto suficientemente irregular para oferecer
proteção contra os meteoros.
Com um campo de pouso satisfatório
já localizado, cuidaremos de outros aspectos do plano.
Para economizar combustível e tempo,
escolheremos a rota mais prática e portanto mais curta.
A Lua evolui em torno da Terra dentro de
uma órbita elíptica de 27 dias e 1/3. A estação flutuante, ponto de
partida da expedição n.° l, circula a. Terra cada duas horas. Assim, em cada
bis-semana, a evolução dos dois satélites (.natural e artificial) será
de tal ordem que um foguete partindo da estação flutuante interceptará
a Lua em 5 dias. E as melhores condições para a viagem de volta ocorrerão
duas semanas mais tarde, e, assim, sucessivamente. Com a estadia ditada pelos
múltiplos de 2 semanas, os cientistas limitarão a primeira exploração da Lua
em 6 semanas — tempo suficiente para efetuar pesquisas satisfatórias e não
muito longo para exigir excessivo suprimento em oxigênio, água e comida.
Seis meses antes "do Vôo l A"
(isto é, a segunda etapa), suprimentos, equipamentos e material de
construção irão sendo armazenados na estação flutuante, mediante uma
operação maciça e impressionante, que mobilizará poderosos foguetes-cargueiros,
centenas de trabalhadores e vastíssima quantidade de material. Duas vezes
ao dia, rápidos foguetes-transporte levantarão vôo da Terra rumo à estação
flutuante, onde enxames de operários os descarregarão. Com a chegada do
material, será atacada a toda pressa a montagem dos três aparelhos que
atravessarão o espaço até a Lua.
Os suprimentos e partes pré-fabricados
não serão armazenados na estação flutuante. E' claro que flutuarão
no espaço. Nem precisarão ser colocados em lugar seguro. E por quê? Ora, o satélite
artificial evolui em torno da Terra numa velocidade de 25.000 km horários,
deixando de ser afetado pela força de gravidade. Portanto, não cairá nem
diminuirá o impulso, pois não encontrará resistência aérea. O mesmo se
aplica a qualquer objeto localizado dentro da órbita à mesma velocidade: para estacionar
o foguete nada mais fará do que ajustar sua velocidade a 25.000 km
horários, e, como conseqüência, se tornará um satélite. E os grandes
volumes de equipamentos e material, viajando na mesma velocidade em relação à
Terra, se transformarão também em satélites sem peso.
Com o passar das semanas, o desembarque da
carga continuará e a área de construção ficará tomada em vasta extensão.
Toneladas de equipamento jazem no espaço — vigas de alumínio, tanques
vazios, feitos de nylon, motores de foguetes, bombas, coleções de
peças, volumes de nylon contendo acessórios. E' um cenário de pôr
alguém maluco. Mas não para os construtores da máquina para ir à Lua. Todas
as peças pré-fabricadas obedecerão a um código, talvez o mais simples que se
possa imaginar. O trabalho se processará com rapidez.
Na verdade, os técnicos realizarão
maravilhas, tendo-se em conta os obstáculos com que irão deparar no trabalho
com peças difíceis de manejar no espaço. Os homens mover-se-ão
desajeitadamente, embaraçados pela pressão do pesado vestuário especial,
equipados com tais necessidades para a vida no espaço, como ar condicionado,
tanques de oxigênio, aparelhos radiofônicos e motores de propulsão
portáteis. Será uma tarefa laboriosa, posto que, conquanto os objetos sejam
sem peso, possuem no entanto inércia. Um trabalhador que empurrar uma viga de
uma tonelada fá-la-á deslocar-se, mas, ao mesmo tempo, deslocar-se-á também.
E sendo sua inércia menor que a da viga, será lançado para trás a maior
distancia do que a peça de metal que havia sido empurrada para a frente.
Motores portáteis auxiliarão os trabalhadores a deslocar as peças. E para
outras tarefas serão empregados táxis do espaço nas viagens em torno
da estação flutuante.
Assim que os foguetes forem tomando o
formato final, montar-se-ão as esferas de nylon-plástico. São as
cabinas da equipagem. Cheias de ar, tornar-se-ão esféricas, com astrodomos
plásticos (para observação das estrelas) colocados no topo e
dos lados. Combustíveis e propulsores serão bombeados para dentro de outros
invólucros esféricos e cilíndricos.
Sem dúvida, será um veículo de
aparência esquisitíssima o foguete lunar, caso comparado com o modelo
aerodinâmico dos aviões a jacto ou asas voadoras dos dias atuais ou do futuro.
Mas terá eficiência. E alcançará a Lua em 120 horas maravilhosas.
Cada foguete lunar terá aproximadamente
50 metros de altura por 35 de largura, pesando 4.370 toneladas. Disporá cada um
de uma bateria de 30 motores-foguete. E cada aparelho terá no topo uma esfera
que abrigará, em quatro andares, os membros da equipagem e cientistas. Sob a
esfera existem dois braços .mecânicos que permitirão uma rotação de 360
graus. Essas duas balizas, que recuam durante a decolagem e aterragem, para
evitar qualquer acidente, sustentam duas peças importantes: uma antena de
rádio para comunicação em ondas curtas e um espelho solar para produzir
eletricidade. 800.000 galões de hidrazina de amônia (combustível) e ácido
nítrico rico de oxigênio (agente de combustão) serão distribuídos em 18
tanques, inclusive 4 enormes esferas. Todas as partes vitais do aparelho terão
uma cobertura pára-choque contra meteoros. E como proteção contra o excessivo
calor todas as partes serão pintadas de branco porque essa cor pouco absorve da
radiação solar. Dentro da esfera de passageiros o ambiente é de sardinha na
lata, porém, com muito conforto. Cada veículo terá lotação para 20 pessoas
(membros daí equipagem e cientistas) na viagem de ida, e 25 na viagem de volta,
já que] 10 homens do transporte de carga (que ficará na Lua) terão de
retornar nos dois outros foguetes. Cada foguete de passageiro terá de carregar
reserva suficiente de oxigênio (1.300 gramas para cada pessoa diariamente),
agua (1.750 gramas para cada pessoa diariamente) e provisões que durem todo o
tempo da expedição. No último andar da esfera fica o deck de controle.
O piloto-chefe ou engenheiro-comandante controla o combustível, temperatura,
pressão, oxigênio! etc. O radiotelegrafista mantém contato com os dois navios
do espaço e com a estação flutuante. No painel de instrumentos vêem-se o
piloto automático e os carretéis de fita que funcionarão durante a operação
de pouso na Lua* Abaixo, no andar seguinte, fica um compartimento de
navegação, onde é observado com a máxima atenção, através de um
registrador automático, o desenvolvimento do vô ao longo da rota. De um lado,
ficará um banheiro suigeneris, para banho com esponja, pois não será
possível utilizar o chuveiro, já que a água não cairia apropriadamente. No
andar central, o alojamento. Em camas de emergência, tipo abre e fecha,
descansarão os membros da expedição, devidamente amarrados para não flutuar.
Compartimento amplo, a maior parte de seu espaço será tomado pela cozinha. E
será realmente uma covinha do tipo especial, com aquecedor de onda curta e
lavador de pratos automático. A cozinha funcionará assim: o cozinheiro
retirará da geladeira a ração já pré-cozida e a esquentará no aquecedor,
depositando-a em seguida em prato com tampa de mola (a fim de impedir à comida
de flutuar no espaço). Por sua vez, o prato é ligado a uma correia, que o traz
à mesa e o leva de volta ao lavador automático. No penúltimo andar ou reserva
estão localizados o painel de eletricidade, o depósito de vasilhame e o
lavatório. Na base da esfera situa-se a casa de máquinas, com tanques para
água, oxigênio, bombas, etc., além de baterias elétricas, motores do sistema
de ar condicionado e aparelhamento de limpeza e reaproveitamento d'água. Essa
esfera não só funcionará como alojamento para os cientistas e técnicos
durante os 5 dias da viagem, como também por algum tempo mais, até que seja
construída a primeira base para exploração científica da Lua.
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