Educação, Computação e Web
Dr. José Palazzo Moreira de Oliveira

Professor Titular do Instituto de Informática da UFRGS

Home ] Acima ] Monografias ] Níveis de formação ] Avaliação ] Declaração de Bolonha ] ISCED ] [ Bolsas ] Ofertas de bolsas no exterior ] Indo a conferências ] Universidades ] Roteiros de leitura ] 

Textos > Ensino no Mundo > Estudo no exterior


Como se preparar para um curso no exterior

Sair para um período longo para fazer uma especialização, mestrado ou doutorado no exterior é uma decisão dificíl de ser tomada. Uma vez tomada a decisão, algumas atividades e precauções podem ser muito úteis para aumentar a chance de bons resultados na tarefa. Aqui apresento um check-list de atividades e sugestões para o seu sucesso.

  • A primeira atividade é conhecer bem o local para onde pretende ir. Estude tudo o que for possível: detalhes da universidade, da cidade, atrações turísticas, serviços de saúde, ambiente esportico e cultura. Uma grande coisa é chegar em um local com uma boa visão do que esperar, isto evita desilusões e facilita a vida. Use os serviços de busca, comece pelo nome da Universidade, do grupo de pesquisa, dos professores orientadores. Continue com a cidade, a região e os demais interesses pessoais na região. Use o tutorial sobre buscas na Web para auxiliar sua pesquisa.

  • Fale com pessoas que já tenham estudado lá, faça perguntas. Se você tiver a sorte de estar estudando em uma universidade com boas vinculações internacionais, procure conseguir um estágio curto na universidade-alvo antes de ir para um longo doutorado. Se você está fazendo seu curso de graduação em uma instituição mais isolada procure participar em algum projeto de pesquisa em cooperação com uma boa universidade de pesquisa. Isto lhe abrirá muitas portas, participar de um grupo conhecido já é uma recomendação importante.
  • Lembre-se que os professores da universidade no exterior também são avaliados. Eles precisam minimizar os riscos, então você deve demonstrar que será uma boa aquisição para o grupo de pesquisa. Mostre seus trabalhos, suas competências, uma carta de recomendação de um professor ou pesquisador conhecido na universidade receptora é um ponto importante. Mas é preciso que este professor o conheça mesmo, a carta deve ser bem detalhada e fazer uma análise real do candidato. Cartas do tipo: "Fui seu professor em uma disciplina de graduação e sempre pareceu um aluno dedicado..." não servem para nada.
  • Se o seu perfil for vocacional, na definição da ISCDE, verifique se seu curso tem convênios com empresas que tenham ou parcerias no exterior ou sejam subsidiárias de empresas internacionais. Ter realizado estágios no Brasil conta na avaliação, obtenha cartas de recomendação de seus supervisores. É importante a capacidade de trabalho independente e capacidade de relacionamento com a equipe de trabalho.
  • De qualquer forma procure todas as oportunidades de intercâmbio, cursos de línguas, treinamentos profissionais, trabalho voluntário. Tudo isto conta muito no processo de seleção.
  • Há dois grandes perfis: o de pesquisa (ISCDE 6) e o vocacional (ISCDE 5B). Identifique claramente qual é o seu perfil. Quanto mais cedo conseguir saber o que vai fazer, mais fácil para orientar sua carreira. Espero que no futuro seja possível fazer pesquisa avançada em muitas empresas brasileiras, mas hoje ainda temos dificuldades para a inserção de doutores nestas empresas. Se for pesquisador é essencial um bom mestrado com boas publicações e talvez um estágio curto, um intercâmbio na graduação conta muito. Se o perfil for vocacional, estágios técnicos, capacidade avançada de relacionamento, experiência prévia de estágios no país são importantes. Em ambos casos o domínio da língua e da cultura do país e da universidade ou empresa conta muito para a seleção.
  • Lembre-se que vai trabalhar muito! O turismo, as pequenas férias, as excursões são uma parcela bem pequena do tempo total no exterior. Esteja preparado para trabalhar muito mais do que em sua graduação aqui no Brasil. Quanto ao dinheiro, este é curto mas com bom planejamento dá para viver adequadamente. O que você vai ganhar - fora da formação profissional - é a experiência de viver em uma outra cultura, de poder ter acesso a outras alternativas de diversão, de teatro e de esportes e ver que sempre há outros pontos de vista diferentes para as coisas que você achava obvias. Esqueça um pouco o chimarrão, o samba, o frevo e viva a cultura do país que o está recebendo, esta será uma oportunidade única. Não viva em "guetos" brasileiros, faça amigos no país e entre os colegas do curso. Estas relações serão muito úteis no futuro.
  • Para solicitar uma bolsa de doutorado no exterior você deve, pelo menos, ter as condições de ser aceito por um bom programa de doutorado no Brasil. Muitas universidades no exterior  aceitam mais facilmente, ou até muito facilmente, candidatos com bolsas do Brasil, é um risco zero para elas. A condição para obter estas bolsas (CAPES E CNPq) é a excepcionalidade, do aluno, da instituição receptora e do plano de pesquisa, sem estas condições nem perca tempo submetendo propostas. A alternativa é encontrar uma fonte externa de apoio financeiro. 
  • Não pense que o mundo "lá fora" é um mar de rosas, em alguns lugares você terá muito menos acesso ao professor do que aqui no Brasil e será tratado mais friamente e de forma mais distante. Você terá que conquistar a simpatia de pessoas com outras formas de encarar o relacionamento humano. Dificilmente aquela expressão "aparece" significa que você vai chegar na casa de alguém sem avisar com uma boa antecedência. Tudo isto não quer dizer menos consideração, significa apenas outra forma de relacionamento. Faz parte, também, da experiência.


Como se preparar para uma entrevista

Um dos pontos importantes para um candidato a uma bolsa no exterior é a entrevista. Nesta entrevista o candidato é avaliado por pessoas experientes, tanto na área técnica quanto na percepção das características necessárias para um bom desempenho no exterior. Minha principal dica é: seja expontâneo mas se prepare bem antes.

  • Caso os avaliadores forem experientes não adianta "decorar" as respostas certas. Qualquer pessoa que já tenha entrevistado dezenas de candidatos consegue identificar imediatamente as respostas "bem-comportadas". É claro que é importante saber o que não deve ser dito. O mais importante é entender quais as motivações de quem oferece a bolsa e não se candidatar se você não se enquadra nestes objetivos. É melhor não sair do que ter uma grande chance de fracassar. A melhor preparação para a entrevista é, realmente, estar preparado para partir para "aquele curso" tão desejado.

  • Quem oferece uma bolsa espera algo em retorno! Nada é gratuito no mundo. Se for uma agência de fomento brasileira o objetivo é a formação de recursos humanos de alta qualidade para o desenvolvimento nacional. Se for uma agencia extrangeira o interesse será o estabelecimento de boas relações culturais ou comerciais, além da formação de alto nível. Se for uma empresa, certamente estarão esperando bons negócios mais adiante. Identifique claramente os objetivos de seu futuro financiador e verifique se você está de acordo e se acredita neles. Há possibilidades para todos os gostos, o que é necessário e encontrar aquelas propostas que melhor se adaptam ao seu perfil.

  • Para onde você quer ir? Decida as alternativas e estude bem as características do país e das universidades pretendidas. Nada pior em uma entrevista do que demonstrar desconhecimento em relação as universidades, ou centros de pesquisa ou industriais, pretendidos e ao sistema educacional do país. Na seção relativa as estruturas educacionais dos países tenho uma breve descrição e apontadores para fontes de informação, estude bem este material! Utilize os mecanismos de busca na rede; repetindo: use o tutorial sobre buscas na Web para auxiliar sua pesquisa. Na estrevista mostre que você sabe para onde vai e quais são as condições de recepção.

  • Por que você quer estudar no exterior? Por favor, não use aquelas respostas horríveis como "Para meu crescimento profissional e para o bem da pátria!", vocês não imaginam como há pessoas que escrevem isto, ou próximo disto, nos formulários de inscrição ao mestrado. Outra: "Estaria muito honrado em realizar estudos nesta universidade devido ao seu renome". Procure, com base nos itens anteriores, dar uma resposta objetiva e clara. Algumas sugestões de formas para abordar a questão são:

    • "Minha área de interesse é ..... e entre os grupos que tratam deste assunto (citar) o grupo do Prof. Pardal complementa os cursos que já realizei";

    • "Meu grupo de pesquisa no Brasil mantém intercâmbio com a equipe do Prof. Pardal (explicitar os trabalhos, missões) e estarei dando continuidade a minha pesquisa";

    • "Além dos pontos já salientados tenho uma boa formação em {Inglês, Francês, Alemão ...}, já realizei estágio no grupo e sei que poderei me adaptar bem e realizar o trabalho pretendido. Espero, no futuro, manter este relacionamento com atividades de cooepração".

  • Para os cursos vocacionais, como especializações, MBA - Master of Business Administration (atenção apesar do nome não são mestrados), ou estágios profissionais, procure deixar bem claro como estão inseridos em su plano de carreira. Siga as sugestões anteriores mas com ênfase nos aspectos mais práticos do trabalho em empresas.

<voltar>


Se voce gostou deste texto e quer receber um aviso da publicação de novidades no site mande um mail para este endereço.

Leituras

 

Blog. do Prof. Palazzo