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Com o tema A Capes e os Novos Paradigmas da Comunicação Científica,
acontece nos dias 26 e 27 deste mês, na sede da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em Brasília, o 1º
Seminário da Revista Brasileira de Pós-Graduação (RBPG).
Destinado a
membros da comunidade científica, representantes do Ministério da
Educação e do Governo Federal, o evento contará com a participação do
diretor de educação da Pós-Graduação do Ministério da Educação Superior
de Cuba, Julio Castro; do professor da Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC) e ex-presidente da Capes, Abílio Baeta Neves; dos
professores Benedito Barraviera, do Centro de Estudos de Venenos e
Animais Peçonhentos da Universidade Estadual Paulista (Unesp); Bernardo
Esteves, do Instituto Ciência Hoje; Gilson Luiz Volpato, da Unesp; Else
Vieira, pesquisadora titular do Queen Mary, da Universidade de Londres
(Reino Unido); José Palazzo M. de Oliveira e Jairton Dupont, da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (UFRGS); entre outros.
Confira a
Programação do Seminário e os
mini-currículos dos Expositores/Moderadores. |
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Mardi 25
mai à 16h, amphi D de l'institut Galilée
José Palazzo Moreira de
Oliveira
Professeur à l'institut d'informatique de l'université fédérale
du Rio Grande (Brésil)
La publication scientifique a évolué depuis l'utilisation de
rouleaux, l'édition de livres puis de revues scientifiques et de
comptes rendus de conférences. Nous assistons à présent à la
prééminence de la publication numérique qui échappe en partie aux
processus éditorial classique. En même temps la mesure quantitative
des publications est devenu un moyen déterminant pour évaluer la
carrière d'un chercheur. Cet exposé retrace l'histoire des supports
de publications scientifiques et la confronte au développement
croissant d'instruments bibliométriques. On posera la question de la
pertinence de ces instruments face aux moyens de diffusion de
l'information scientifique par internet.
La conférence sera suivie d'une collation.
Mis à jour (Mardi, 18 Mai 2010 11:38) |
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A essência da tecnologia não é algo tecnológico.
H. Heidegger
Em 1455 Johann
Gutenberg (1398-1468) revolucionou o mundo com a invenção dos tipos
móveis e conseqüentemente da imprensa moderna. Esta invenção foi um dos
elementos que desencadeou o fim da Idade Média, muito melhor denominada
em inglês de Dark Age[1],
estimulando o Renascimento. O Renascimento apresentou, entre outras, a
característica de ter tornado acessíveis para um grande público obras
como a Bíblia e outros textos da antiguidade clássica através da
publicação de livros impressos. Parte dos historiadores considera este
fator como um dos mais importantes para a efervescência e criatividade
que marcaram este período da história. Antes os livros, ricamente
ilustrados e manuscritos, eram restritos aos nobres e aos conventos. A
disseminação do conhecimento clássico permitiu que muitos passassem a
interpretá-lo a partir dos originais dos livros, a criar novas versões e
ampliar a possibilidade de divulgar seus pensamentos sem a necessidade
de contar com monges-copistas para reproduzirem os livros, mas ainda com
a necessidade de obter uma permissão para publicá-los[2].
Uma das
mais significativas características dos livros é a perenidade. Um livro,
impresso em papel de qualidade, pode durar centenas de anos ou mesmo
milênios se bem armazenado. Desta forma os livros são referências
importantes para a consolidação do conhecimento. Posteriormente surgiram
as revistas impressas que formavam acervos importantes nas bibliotecas e
eram, também, fontes de referência estáveis. Em muitas áreas de
conhecimento, como nas Ciências Humanas, os livros são considerados a
fonte básica de conhecimento e fortemente considerados na avaliação da
produção acadêmica. Aqui é bom notar que a avaliação da qualidade, neste
caso, não é baseada em uma métrica simples de citações, mas na avaliação
da influência real do autor na sociedade ou em sua área de conhecimento.
É necessário reconhecer que a importância dos livros é, em grande parte,
associada a sua perenidade; um livro lido, referenciado, estudado
continuará disponível por um tempo indeterminado. Suas diversas cópias,
existentes em múltiplas bibliotecas, garantem a sua perenidade.
Após os
livros surgiram as revistas como forma de divulgação do conhecimento. Em
particular as revistas acadêmicas, em que os artigos passando por um
processo de avaliação externo, são considerados fontes confiáveis e
valorizadas. Além disto, bibliotecas com muitos recursos financeiros têm
grandes acervos de revistas impressas. Novamente estamos frente à
percepção de que a qualidade e a importância são asseguradas pela ampla
disponibilidade. As revistas passam a ser consideradas como referências
estáveis e, nas áreas de desenvolvimento mais rápido como, por exemplo,
a física, a engenharia e a biologia, como mais importantes mesmo que os
livros.
A seguir, surgiram as bibliotecas digitais,
suportadas por casas editoras com versões eletrônicas de suas
publicações em papel. A venda de artigos pela Internet é uma ação
similar à venda de músicas ou filmes por sites em vez de venda em
gravações de CDs ou DVDs. Os editores de música precisaram oferecer uma
alternativa, a preços aceitáveis, para os usuários. Hoje a Apple com o
iTunes[3]
vende mais músicas do que os tradicionais CDs. A partir deste momento o
acesso às revistas tornou-se amplo e, principalmente, imediato. Mesmo
com o acesso instantâneo a estas publicações o processo editorial
continua exatamente o mesmo que o do tempo da imprensa tradicional e,
principalmente com altos custos de acesso. Aqui surge a necessidade de
uma discussão maior sobre os aspectos econômicos deste sistema
editorial. A maior parte das pesquisas é realizada com recursos
governamentais, após os resultados são enviados para conferências,
revistas ou capítulos de livros e, quando aceitos, é necessária a
transferência dos direitos autorais para as editoras que ficam com todo
o lucro. Apenas no caso de livros os autores recebem uma parcela dos
lucros como direitos autorais.
A alternativa de publicação comercial
via Web, as bibliotecas digitais comerciais – tratadas acima – tornou-se
uma necessidade para as editoras competirem com a publicação dos
resultados das pesquisas e de trabalhos acadêmicos não somente por
páginas de grupos de pesquisa, mas também pela publicação de artigos de
forma totalmente livre na Internet, como é o caso do arXive[4]
dos físicos como, por exemplo, este artigo: “Statistics for Ranking
Program Committees and Editorial Boards”[5].
Alternativamente há a possibilidade da publicação de revistas de forma
eletrônica com acesso livre, mas mantendo todo o processo de análise de
qualidade (reviewing) e de editoração como o disponibilizado pelo
sistema SEER do IBICT baseado no OJS[6].
Neste caso temos uma publicação com a mesma análise de qualidade das
publicações tradicionais em papel, mas com a possibilidade de acesso
livre pela Web. Um exemplo desta alternativa é a “Revista de Informática
Teórica e Aplicada”[7]
editada pelo Instituto de Informática da UFRGS.
A era digital de publicação livre se
desenvolveu com a publicação de páginas Web, continuou com as listas de
discussão e logo a seguir apareceram os blogs. Estas formas de
publicação digital possuem características próprias e bem diferentes
daquelas dos livros e revistas em papel, a falta de revisão externa e a
transitoriedade ou falta de perenidade. Uma página Web um artigo em um
Blog não é um elemento estável, nunca sabemos se amanhã ainda estarão
disponíveis. Além disto, há um problema de certificação da sua qualidade
é preciso o desenvolvimento de formas de certificação de sua
proveniência e qualidade.
Mais recentemente apareceram novas formas de publicações eletrônicas com
avaliação social da qualidade dos artigos como a Wikipédia. A partir
deste modelo estão sendo aperfeiçoadas formas de atribuir níveis
crescentes de autoridade e de credibilidade aos autores. A perspectiva é
de que consigamos, em um prazo médio, de um novo modelo de publicações[8],
desenvolvido especificamente para a nova realidade tecnológica da Web.
Este modelo deve ser devidamente aceito e utilizado para o
reconhecimento da produção intelectual dos autores cooperativos. Esta
será uma real revolução e a abertura da possibilidade de trabalho
cooperativo e não egoístico, totalmente distribuído.
A última
e revolucionária inovação tecnológica foi o aparecimento de leitores
dedicados para livros eletrônicos. Estes equipamentos apresentam uma
grande facilidade de leitura, pois suas telas são muito similares às
folhas de papel, não são iluminadas, apenas refletem a luz com um branco
muito claro e um negro saturado. Com esta tecnologia é estimulada a
autopublicação, em que o autor é seu próprio editor e publicador através
de serviços disponíveis na Internet.
Nenhuma
destas formas de publicação teria algum efeito de importância social se
não fosse aceito e difundido em grandes estratos da sociedade. Esta é a
justificativa para a afirmação de que a tecnologia por si não traz
grandes mudanças, apenas a sua utilização por um grande número de
usuários pode gerar mudanças radicais de comportamento.
A Web abriu todas estas novas possibilidades de
publicação; estamos em uma fase revolucionária da divulgação do
conhecimento, tão importante quanto aquela criada pela imprensa de
Gutenberg.
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Para complementar
o material desta crônica e da apresentação associada
estou publicando o
primeiro de uma série de
"Cadernos". O objetivo destes cadernos é trabalhar o
assunto em maior profundidade oferecendo uma análise
mais detalhada e permitindo sua utilização como
material complementar em aula. |
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