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Há muito
tempo eu esperava a chegada na Universidade de alunos que tivessem
crescido em um ambiente onde a computação fosse um elemento diário e
não uma nova tecnologia. Isto finalmente aconteceu! Os alunos atuais
nasceram quando o computador já era um eletrodoméstico e passaram
toda a sua vida de estudo utilizando computadores. Estava na hora de
verificar as novas competências que, certamente, tinham sido
adquiridas neste ambiente intelectualmente estimulante. Mas o que chegou
foi a
decepção: a maior parte dos alunos estava utilizando toda esta tecnologia de
busca de informação da forma mais naïf possível: copy and
paste! É claro que qualquer generalização é perigosa, mas
esta é a impressão geral que sinto. Conversando com colegas chega-se
a mesma conclusão: falta capacidade para filtrar
toda a informação disponível e, principalmente, falta o hábito e
a competência para criar interpretações pessoais a partir do
material encontrado.
Nas férias passadas estava
lendo um caderno de classificados de computação quando, de forma
completamente imprevista devido aos objetivos daquele caderno,
encontrei este pequeno editorial:
Editorial do
Caderno de Classificados de Informática do Jornal Zero Hora,
Porto Alegre, 10 de Fevereiro de 2008, página 1.
Pesquisadores britânicos afirmam que a suposta habilidade dos
jovens para lidar facilmente com novas tecnologias não se
confirma
Os jovens conseguem utilizar novas
tecnologias com facilidade e adquirir conhecimento apenas com o
uso da internet, certo? Pois um estudo encomendado pela
Biblioteca Britânica diz o contrário. A pesquisa, realizada pela
University College of London, afirma que a Geração Google - como
são chamados os adolescentes nascidos a partir de 1993, depois
da popularização do computador - tem sua capacidade
supervalorizada.
Conforme o levantamento, feito com o
objetivo de esclarecer como o avanço tecnológico afetará as
bibliotecas, os garotos de hoje não são necessariamente
eficientes em fazer pesquisas pela internet.
Também não permanecem mais tempo online
do que as pessoas mais velhas e não destoam do resto da
sociedade em priorizar informação rápida e digerida. "Na
verdade, já somos a Geração Google: a demografia da internet e
do consumo de mídia está erodindo supostas diferenças de
gerações", diz o relatório da pesquisa.
O trabalho ressalta ainda que a
"alfabetização digital" e a "alfabetização informativa" não
caminham conjuntamente, o que se reflete na incapacidade
demonstrada por muitos jovens para filtrar o imenso arsenal de
dados disponíveis na web. Outro mito que não se confirma, dizem
os pesquisadores, é o de que os garotos são mais propensos do
que seus pais a buscar informações rápidas e "mastigadas". A
preferência por textos resumidos e buscas por palavras-chave é
uma norma geral. "A sociedade (como um todo) está se
emburrecendo", diagnostica o estudo.
Uma característica que muitos já
suspeitavam também foi confirmada: a dita Geração Google é uma
forte adepta da prática de "copiar e colar" informações para
seus trabalhos escolares, e prefere plataformas interativas de
informação ao consumo passivo dos dados. Para tirar suas
conclusões, os cientistas utilizaram estudos feitos com jovens
nas décadas de 80 e 90 e os compararam com a forma como os
adolescentes de hoje pesquisam na Biblioteca Britânica e nos
sites educacionais do governo inglês.
O que o estudo não conseguiu responder
é se os jovens são mesmo mais capazes do que seus pais de
realizar diversas tarefas ao mesmo tempo. "A questão mais ampla
é saber se as habilidades seqüenciais, necessárias à leitura,
também estão sendo desenvolvidas", observam os pesquisadores. |
A ênfase na
conclusão apresentada acima é minha e o problema é muito sério
mesmo. Há bastante tempo escrevi sobre o plágio
acadêmico pois estava começando a ficar preocupado com esta
tendência de copiar e não de criar. Este péssimo hábito está
esterilizando a criatividade. Precisamos absolutamente da revisão
dos conhecimentos passados para poder construir mais alto! Uma frase,
atribuída a Isaac Newton, condensa esta posição: “In the
sciences, we are now uniquely privileged to sit side by
side with the giants on whose shoulders we stand.” Aliás uma
parte desta frase foi tomada como mote pelo Scholar Google
para balizar o uso correto deste serviço.
O que aconteceu?
A citação acima dá o caminho: a "alfabetização digital" e a
"alfabetização informativa" não caminham conjuntamente. As pessoas
passaram a utilizar a Web de forma natural pois foram "alfabetizadas
digitalmente" mas não sabem utilizar a informação obtida. O
conjunto de dados disponíveis na Web
representa um acervo gigantesco. O grande
desafio é acessar, recuperar e organizar
estes dados de forma a transformá-los em
informação relevante.
A palavra Dados vem
do latim datum isto é algo oferecido, dado. Esta é a significação de dados: algo
que está disponível que foi oferecido. Em
informática consideramos dados como valores que
podem ser números, cadeias de caracteres ou
imagens sem interpretação. Isto quer dizer que
um valor não possui uma significação em si
mesmo, por exemplo: 220 podem ser volts ou
quilômetros por hora. Este é o primeiro nível
na representação do mundo real. Informação é o
próximo nível, a informação consiste no
significado associado aos dados, no exemplo
anterior 220 volts é uma informação associando
um valor (dado) a uma grandeza que tem
significado físico. Neste caso 220 é
interpretado como uma grandeza elétrica, a
voltagem. Finalmente no último nível, o Conhecimento,
existe a compreensão do significado da
informação com a possibilidade de utilizar este
conhecimento para algum uso específico. No nosso
exemplo o conhecimento associado a 220 volts
poderia ser que esta tensão elétrica é
perigosa para o ser humano e que devem ser
utilizadas ferramentas isoladas para manipular
fios submetidos a esta tensão. Para que consigamos entender o
significado das informações é necessária a
estruturação do conhecimento e a construção
de um modelo, uma espécie de mapa, relacionando
os diferentes conceitos recuperados. Esta é a parte que está
faltando a "alfabetização informativa ou de conhecimento".
O que ocorre
parece ser uma tendência para a obtenção de material simples e de
fácil aplicação. Para que estudar mais se o simples me garante a
subsistência? Para que conhecer os fundamentos se me pagam
pelo conhecimento e competência no uso de ferramentas de software?
Para que um curso mais longo se três anos bastam para minha
colocação no mercado? Estas são as perguntas correntes. Comprovei
isto assistindo uma recente entrevista, longa - no padrão francês de uma
hora, na TV5 de um líder estudantil de uma grande confederação de
estudantes sobre os quarenta anos de Maio de 68. Seu comentário que
mais me causou impacto foi: "Os estudantes de 68 queriam mudar o mundo
nós só queremos nosso espaço no mercado (de trabalho)"! O
problema é que esta posição levada ao limite nos conduz à
mediocridade, apenas uma vida mais ou menos estável, nenhum desafio
maior, nada a desbravar...
Uma destas
conseqüências do utilitarismo do ensino é a visão de Bolonha sobre os cursos universitários;
se por um lado
há o fator positivo do intercâmbio e da mobilidade há o lado
negativo da redução do tempo dos cursos. A visão dos colegas envolvidos neste
processo é que o objetivo é criar um modelo de cursos curtos, para inserção rápida no
mercado de trabalho, associado a um modelo de long life learning,
ou seja o retorno ao estudo para atualização. Eu estou pensando que
seria melhor chamar este modelo de long life training - o
treinamento de mecânicos para as novas tecnologias. Quem vai
desenvolver estas novas tecnologias? A Universidade Européia, que era
conhecida por suas qualidades de abstração e de criação conceitual e
filosófica no modelo de Universidade Humboldtiana, pode estar se transformando
em uma escola técnica superior.
O mesmo se passa
com nossos estudantes, se tudo está disponível na Web porque
desenvolver? É mais fácil copiar. Para que estudar algoritmos se
encontramos libraries para tudo com dois toques de teclado?
Este texto, republicado no
JC e-mail 3503, de 02 de Maio de 2008, é uma leitura essencial.
| Nora Bär
(ciencia@lanacion.com.ar) é editora de Ciência e Saúde
do jornal argentino "La Nacion", onde publicou este
artigo:
En los
siglos XVI y XVII, Galileo fue astrónomo, filósofo,
matemático y físico. En esas épocas, una sola persona --
claro que no cualquiera: ¡Galileo, nada menos! -- podía
abarcar el conjunto de los conocimientos de su tiempo.
En el
mundo globalizado de hoy, la ciencia dejó de ser una
empresa individual para convertirse en un aparato
gigantesco cuyos engranajes exceden lo puramente
académico y cuyos hallazgos impulsan no sólo el avance
del conocimiento, sino también la competitividad de los
países.
A los
científicos actuales ya no les basta, como se cuenta que
hizo Galileo, con asomarse a la Torre de Pisa, lanzar
dos piedras y observar cómo caen. Para alimentar la
moderna maquinaria de experimentación, capaz de bucear
en el submundo de la materia y de desmontar las piezas
de la vida, se necesitan equipos monumentales y
cuantiosas inversiones que no suelen estar al alcance de
los países en desarrollo.
¿Entonces
qué chance les queda a los jóvenes David frente a los
superpoderosos Goliat que dominan el escenario
científico global?
En el
discurso de apertura de la última reunión de la
Asociación Americana para el Avance de la Ciencia, su ex
presidente, David Baltimore, formuló algunas ideas que
vale la pena tener en cuenta.
Baltimore
ganó el Premio Nobel de Fisiología o Medicina en 1975
(junto con Renato Dulbecco y Howard Temin) por el
descubrimiento de la enzima que en los virus oncogénicos
"traduce" el ARN en ADN. Pero además de ser un
científico brillante, fue un administrador exitoso que
presidió la Universidad Rockefeller y el Instituto
Tecnológico de California, y asesoró a los gobiernos de
la India y Ruanda en temas científicos.
Contrariamente a lo que podría suponerse, para él la
fuerza de un país en materia científica no depende tanto
de los equipos e instalaciones como de la calidad de los
investigadores. Entre otras cosas, aconseja mantener un
alto nivel de excelencia en la selección de recursos
humanos, impulsar el desarrollo de instituciones
pequeñas, no separar la enseñanza de la investigación y
preservar la libertad académica de los científicos. Por
otra parte, insiste en que -aun para los países en
desarrollo- la ciencia básica (que no tiene un fin
definido) es insoslayable.
"Incluso
si uno tiene la intención de que sus graduados trabajen
en las cosas más prácticas, el entrenamiento que reciben
en la ciencia básica es el mejor que se les puede
ofrecer", afirma durante una entrevista publicada por
SciDev.net.
"Desarrollar
ciencia de primer nivel es difícil -- dice Baltimore --.
Sólo se llega a la excelencia después de un proceso
largo y trabajoso. Si uno [se limita a comprar] una
máquina, produce ciencia estándar. En investigación, son
las personas las que hacen la diferencia, haciendo cosas
nuevas y formulando nuevas preguntas. La calidad de la
gente es la que determina lo que se produce. De modo que
uno puede tener máquinas maravillosas, pero a menos que
tenga gente extraordinaria, no podrá producir ciencia
extraordinaria."
En un
mundo dominado por el dinero, es reconfortante pensar
que Baltimore puede tener razón... (La Nacion, Buenos
Aires, 30/4) |
Para finalizar
uma citação de Albert Einstein:
“Quero opor-me à idéia de
que a escola tem de ensinar diretamente o tipo especial de
conhecimento e as técnicas que uma pessoa tenha que utilizar mais
tarde diretamente na vida. As exigências da vida são demasiadamente
múltiplas para permitir que uma preparação tão especializada seja
possível como uma ferramenta morta. A escola deveria sempre ter como
alvo que o jovem saísse dela como uma personalidade harmoniosa, não
como um especialista”.
Acho que
temos bastante material para meditar neste Dia do Trabalho.
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