|
2
Ciclo de vida de Acordo com Fuchs
Segundo
[FUC97], existe a distinção de cinco fases do ciclo de vida de uma
organização virtual, que podem ser apresentadas de acordo com a Figura
1
.
É
caracterizada por uma análise da estratégia e do processo de decisão
do iniciador, na forma de uma auditoria para analisar as forças ou
fraquezas, oportunidades e pressões, bem como competências e
recursos necessários e disponíveis no momento é importante. Com
base nesses resultados, deve ser tomada uma decisão: se a organização
deve permanecer só, adquirir ou fundir-se a outra companhia ou
cooperar com parceiros. A decisão de compreender a estratégia
escolhida pela cooperação com outras companhias é o passo final da
pré-fase.
Figura
1
– Ciclo de Vida de acordo com [FUC97]
A
configuração é a fase onde a organização virtual é constituída.
Ocorre durante a associação, quando a empresa que tomar a iniciativa
começará a procurar e selecionar os parceiros que tenham os recursos
e competências suplementares necessários; a definição da estratégia,
quando os parceiros potenciais pré-selecionados começarão uma
discussão e o processo de negociação, que requer muitas interações;
e o comprometimento, estágio final da fase de configuração, quando
os parceiros concordaram nos objetivos comuns e têm um modelo mental
comum da organização virtual.
A fase
de projeto deve implementar os objetivos e roteiros formulados em padrões
que são derivados dos objetivos da organização virtual. Esses
roteiros determinam a aplicação dos processos de referência,
tecnologia da informação e comunicação, logísticas e aspectos
culturais.
A fase
de operação é a real fase de geração de valores da organização
virtual. Para uma organização virtual estar em funcionamento,
processos de referência devem ter sido definidos e, para a
conformidade dos objetivos da organização virtual de seus
participantes, um processo de controle deve ser instalado, que
distinguirá questões ou níveis de controle operativos, estratégicos
e normativos. Se desvios nos níveis de controle normativo ou estratégico
da organização virtual são muitos grandes que não possam ser
solucionados, a organização virtual entra na fase de dissolução.
A
dissolução pode ocorrer na forma do final da sua existência, quando
todas as relações entre os parceiros são desfeitas, não
significando que os parceiros param as atividades entre eles. As relações
normais entre os consumidores e fornecedores podem substituir as relações
da organização virtual; ou, então, na forma do relançamento da
organização virtual, significando que um número de parceiros da
organização virtual está ainda convencido de que a forma
cooperativa é o melhor veículo para compreender seus objetivos.
Esses parceiros podem decidir mudar as regras, excluir parceiros,
convidar novos parceiros ou mudar a estratégia. Se os parceiros
remanescentes decidem relançar sua organização virtual, eles se
dirigem à fase de configuração, em que devem atualizar a política
da organização virtual.
Já de
acordo com [MER97], o ciclo de vida de uma empresa virtual pode ser
dividido em quatro fases, como mostra a Figura 2, cuja duração
depende das características do mercado onde está inserida a organização
virtual e da configuração dos parceiros cooperantes.
Para
organizações virtuais, a integração dos processos é muito
importante. Isso requer uma análise dos processos
intra-organizacionais. Deste modo, a seqüência de atividades bem
como as interfaces internas e externas têm de serem definidas entre
as companhias participantes da rede para permitir a troca de material
e o fluxo de informação dentro da rede cooperativa.
Por
outro lado, empresas que implementam o seu sistema de gerenciamento de
qualidade baseados em padrões são atraentes do ponto de vista de
organizações virtuais, porque os padrões criam a confiança, um dos
fatores cruciais para a rápida construção de redes de cooperação
virtual.
Figura
2
– Ciclo de Vida de uma Organização Virtual segundo [MER97]
A fase
de configuração é o “nascimento” da rede cooperativa. Com base
no perfil dos parceiros, definido na fase de preparação, os
parceiros para a cooperação são procurados. A rede de cooperação
pode ser construída tanto com os conhecidos quanto com parceiros
novos. A existência de um pool
de parceiros dispostos e capazes de cooperar torna mais fácil
encontrar novos parceiros e configurar a rede de cooperação do ponto
de vista econômico, poupando tempo e dinheiro. A fase de configuração
termina com o comprometimento de metas estratégicas e padrões de
qualidade da rede de cooperação. Com base no exposto, um plano de ação
deve ser definido nessa fase.
Nessa
fase, a infra-estrutura – de processos e de informação – da
organização virtual deve ser implementada. A complexidade de tais
estruturas de processos pode ser gerenciada com o suporte de uma
infra-estrutura de informação de alta performance. Contudo, a
infra-estrutura da informação, como sendo a “memória
organizacional” da rede de cooperação, deve fornecer informação
de gerenciamento real e relevante. Isso só se torna possível se
todos os parceiros cooperantes alimentarem a informação de
qualidade.
Na
fase de operação, a rede cooperativa realmente trabalha. Importante,
dentro de redes cooperativas, é que os parceiros da cooperação
interajam com cada um de acordo com o princípio
fornecedor-consumidor. Como em qualquer “companhia real”, em redes
de cooperação, podem ser usadas técnicas clássicas de qualidade a
fim de assegurar a qualidade do processos.
A
operação das redes de cooperação é mudada se uma companhia não
puder suportar os padrões de qualidade da rede de cooperação. Neste
caso, é forçada a deixá-la. Da mesma forma, uma companhia por si só
pode decidir deixar a rede se não puder alcançar seus objetivos
individuais. Se não houver nenhum mercado potencial ou a rede de
cooperação perder sua competitividade, a organização virtual como
um todo completou seu ciclo.
Figura
3
- Ciclo de Vida de uma Organização Virtual segundo [ZIM96]
A
interpretação dada por [ZIM96] sugere quatro fases no ciclo de vida
das organizações virtuais que podem ser teoricamente diferenciadas.
As fases são mostradas na Figura
3
.
A
fundação de empresas virtuais normalmente se origina nas atividades
de um visionário ou, mais ou menos, de uma coincidência não-planejada.
Esta suposição é válida se principalmente companhias pequenas estão
envolvidas na fundação; nesse caso, a iniciativa de fundar uma
empresa virtual é freqüentemente tomada por uma empresa central. Se
empresas maiores estiverem envolvidas é maior a necessidade estratégica
de criar novas vantagens competitivas estratégicas que dispara a
formação da organização virtual.
4.2
Procura
A
procura de parceiros será suportada por catálogos na Internet, em
que empresas podem apresentar suas core
competencies. Procuram-se as empresas que desejem fazer parte da
organização virtual e que, eventualmente, poderão ser os parceiros
corretos recebendo as tarefas da empresa virtual. Essa etapa é muito
importante, porque os parceiros potenciais devem encontrar muitos critérios
distintos e, portanto, precisam ser selecionados cuidadosamente.
A
estrutura de acordos sobre a cooperação é negociada. São definidas
regras para a divisão do trabalho, a designação de recursos e os
procedimentos de operação, bem como a infra-estrutura necessária
para a cooperação. As tarefas nesta fase são muitos difíceis,
porque o meio termo entre uma regulação demasiada, que reduz a
flexibilidade e uma regulação superficial, que causa altos custos de
coordenação, deve ser encontrado. Por esse motivo, existem somente
poucas experiências abordando o problema.
A fase
de operação inclui coordenar a produção. Os acordos das fases de
procura não são estáveis no decorrer do tempo e, por isso, devem
estar permanentemente em revisão. Os parceiros individuais irão
sofrer reorganização, a fim de manter o acerto com os parceiros. Se
a proposta da fundação da empresa virtual é completada, a configuração
corrente da empresa virtual mudará ou a empresa virtual se dissolverá
completamente.
De
acordo com [BRE97], as empresas virtuais têm um ciclo de vida em que
podem ser definidas cinco fases baseadas em quatro infra-estruturas,
como mostra a Figura
4
.
Embora,
segundo [BRE97], a formação tenha sido definida como sendo a
terceira fase, na verdade se espalha entre as três fases iniciais
(oportunidade, procura de parceiros e a formação propriamente dita).
A infra-estrutura da informação para as empresas de manufatura é da
grande importância, principalmente para aquelas que agem nos
ambientes de negócios globais.
Figura
4
- Ciclo de Vida de uma Organização Virtual segundo [BRE97]
O
autor fornece uma visão resumida do assunto em questão, que está
sendo considerada neste estudo, apesar de sucinta, por contribuir
nesta investigação com uma nova distribuição das fases e um novo
diagrama de ciclo de vida.
Para
finalizar, [MIC98] propõe um ciclo de vida com cinco fases, conforme Figura
5
.
A
organização ou um associado inteira-se da demanda de um produto ou
serviço especializado. A atenção à necessidade deve ser comunicada
por meio da Internet, de um telefonema ou fax, ou então, uma conversa
pessoal.

Figura
5
- Ciclo de Vida de uma Organização Virtual segundo [MIC98]
As
capacitações humanas, financeiras, materiais e de capital são
avaliadas. As core competencies
são comparadas aos requisitos específicos de consumidores. Recursos
adicionais, que forem necessários, são localizados com o uso da
Tecnologia da Informação. Uma união pouco coesa é formada: sua função
é dar o ponto de partida para direcionar as necessidades dos clientes
em qualquer lugar, a qualquer tempo.
Planos
e estratégias são feitos com o conhecimento e experiência de
peritos e entre os membros da organização. Os contratos são
preparados por um representante da organização virtual. Espaço é
contratado temporariamente e a infra-estrutura das comunicações
estabelecida. Serviços e matéria prima são procurados. Fontes de
trabalho são identificadas.
A
produção real começa. Constantemente a organização virtual
verifica a si própria para uma comparação entre o capital e os
requisitos dos clientes e fornecedores, quando, então, as áreas de
deficiência são observadas. Nada é estático.
Depois
de se desenvolver todo o processo, os especialistas são destituídos,
os contratos pagos, o capital retornado e o cliente satisfeito. A fase
de reconstituição de uma organização virtual é absolutamente
imprescindível. Após um projeto do cliente completado, outro projeto
surge e o formato de recursos da organização deve mudar para
adaptar-se aos novos requisitos.
Então,
a organização tem a chance de tornar-se uma entidade que aprende (learning
entity). Ela pode testemunhar seus próprios erros objetivamente,
e tomar atitudes corretivas para finalizar um processo errôneo,
eliminando um contratante de uma lista de fornecedores preferenciais
ou estudar a competição. Novas dinâmicas podem ser construídas com
novos parceiros. De fato, permitindo-se a separação, a organização
rejuvenesce e cresce mais forte.
Existem
diversas interpretações do ciclo de vida de uma organização
virtual. Na verdade, cada autor divide e subdivide as fases do ciclo
à sua maneira. Nas seções anteriores, mostraram-se algumas
abordagens de uma série de autores. Mas, para propor um modelo de
ciclo de vida abrangente, é necessário que se faça uma análise
profunda de todos os ciclos estudados pelo levantamento das coincidências,
semelhanças e diferenças entre eles, desenvolvida nos parágrafos
seguintes.
De
acordo com a comparação apresentada, enquanto as abordagens
mostradas por [FUC97] (Fase Pré-fase) e [MER97] (Fase de Preparação
e Análise) se preocupam primeiramente com uma análise em nível de
companhia, quando a própria organização “real” verifica a
possibilidade de integrar, ou não, uma organização virtual,
[ZIM96], [BRE97] e [MIC98] partem do pressuposto que a companhia
percebeu a vantagem estratégica de integrá-la. [MER97], além disso,
preocupa-se, dado o posicionamento favorável à integração a uma
organização virtual, com a preparação da companhia para tornar
essa integração facilitada, por exemplo, pela adoção de padrões e
da organização dos processos e atividades da empresa. [FUC97] e
[MER97] parecem colocar a formação da empresa virtual relacionada ao
processo evolutivo da companhia, que leva à integração. [ZIM96],
[BRE97] e [MIC98], por outro lado, abordam a formação da empresa
virtual relacionada à emergência de uma situação competitiva no
mercado.
A
procura de parceiros é uma fase muito importante para a formação da
organização virtual, pois, mesmo que se vislumbre antecipadamente
como seriam os parceiros ideais, é muito difícil encontrar aqueles
que se encaixem perfeitamente nessa visão. Portanto, devem-se
procurar parceiros que mais preencham os requisitos definidos como
ideais.
[FUC97]
(Fase de Configuração – Associação e Definição da Estratégia)
sugere que a própria empresa candidata a aderir a uma organização
virtual procure seus parceiros potenciais e selecione os mais
adequados às suas necessidades e metas. [MER97] (Fase de Configuração)
propõe que um pool de
parceiros, local onde estará inserida a própria organização,
esteja disponível para agilizar o processo de procura. [ZIM96] (Fase
de Procura), em outras palavras, propõe algo similar a um pool
de parceiros, porém denominado e suportado por catálogos na
Internet. Diferentemente dos autores anteriores, [MIC98] (Fase de
Constituição) cita esta fase de forma implícita, como a localização
de recursos adicionais necessários pelo uso da Tecnologia da Informação.
Selecionados
os parceiros mais adequados, inicia-se o processo de negociação que,
em todos os ciclos apresentados, se relaciona com o comprometimento,
definição dos padrões, da infra-estrutura e objetivos da organização
virtual. Na verdade, a negociação tem como resultado o
comprometimento. [FUC97] (Fase de Configuração – Comprometimento)
sugere que esse estágio se completará quando os parceiros
concordarem com os objetivos e tiverem um modelo do que será a
organização virtual. [MER97] (Fase de Configuração), sugere esse
preenchimento, em outros termos, quando as empresas se comprometam em
relação aos objetivos de estratégia e aos padrões de qualidade.
[ZIM96] (Fase de Contratação) cita, como a chegada ao
comprometimento, quando a estrutura de acordos sobre a cooperação
atingiu um ponto de conformidade. [ZIM96] (Fase de Contratação) e
[BRE97] (Fases de Identificação da Oportunidade, Procura de
Parceiros e de Formação, propriamente dita), vêem
a chegada ao final desse estágio como a formação da organização
virtual (já incluída a sua implementação). [MIC98] faz com que a
negociação se apresente em duas etapas: primeiramente, uma união
pouco coesa é formada entre os parceiros (Fase de Constituição)
para que, somente a partir deste ponto, planos e estratégias sejam
traçados (Fase de Contrato). Logo após, o comprometimento é
atingido com a preparação de um contrato por um representante da
organização virtual.
[FUC97]
propõe a idéia de ser a fase de implementação (Fase de Projeto) o
momento no qual deve acontecer a implementação dos objetivos e
roteiros formulados em padrões que se derivam dos objetivos da
organização virtual, tendo, para isso, grupos de projetos
qualificados. [MER97] (Fase de (Re) Projeto) vê a implementação da
organização nascente como a fase em que a infra-estrutura – de
processos e de informação – deve ser implementada. [MER97] deixa
esta fase explicita, enquanto [ZIM96] a coloca como uma atividade
pertencente a outra fase (Fase de Contratação), citando a implementação
da estrutura para cooperação. Todas as abordagens apresentadas
concordam que essa estrutura deve estar concluída antes da fase de
operação.
A fase
de operação figura em todos os ciclos aqui apresentados. [FUC97]
(Fase de Operação) a define como aquela em que aconteceu a geração
de valores e, em conciliação com [MER97] e [MIC98] (Fase de Operação),
preocupa-se com os controles que manterão a organização virtual
operando. Esses controles são tão importantes que, na realidade, se
a empresa virtual encontrar problemas insolúveis nesta fase, ela cairá
no processo de dissolução ou relançamento, também de acordo com
[ZIM96] (Fase de Operação).
Finalmente,
ao final dos ciclos expostos, tem-se a dissolução ou rearranjo da
organização virtual [FUC97] (Fase de Dissolução), [MER97] (Fase de
Operação), [ZIM96] (Fase de Operação), [BRE97] (Fase de
Reconfiguração/Dissolução) e [MIC98] (Fase de Dissolução/Reconstituição).
[MER97] e [ZIM96] não consideram a dissolução ou reconfiguração
como uma fase da organização virtual e sim, um resultado inserido
dentro da fase de operação.
Portanto,
embora os autores dividam as fases de forma diferente tanto em número
quanto em conteúdo, existem diversos pontos em comum entre elas,
fazendo com que uma organização virtual obedeça, de certa forma, a
um procedimento padronizado para a sua configuração e (re)(des)configuração.
Os pontos são descritos abaixo:
·
Verificação da melhor estratégia a ser adotada pela organização,
a qual pode ser caracterizada como uma auto-análise da empresa para
levantar seus pontos a favor da participação
em uma organização virtual, ou contra ela;
·
Identificação da oportunidade de formação de uma organização
virtual apresentada pelo mercado no qual trabalham as companhias que
desejam cooperar;
·
Procura dos parceiros mais adequados à formação da organização
virtual que a companhia está disposta a aderir;
·
Negociação entre os parceiros potenciais;
·
Comprometimento e definição dos padrões, dos objetivos da
infra-estrutura e metas que irão compor a organização virtual;
·
Implementação da Organização Virtual;
·
Execução do trabalho;
·
Rearranjo (relançamento) ou término da organização virtual.
O
ciclo de vida de uma organização virtual, mesmo não dividido em
fases bem definidas (e/ou subfases), deve conter a maioria dos itens
apresentados como pontos em comum na seção anterior. Para a proposta
do ciclo de vida deste trabalho, os pontos em comum serão
considerados como as próprias fases do ciclo, totalizando um ciclo de
vida mais abrangente de oito fases, detalhadas a seguir.
No
ciclo de vida proposto, esta fase pode, ou não, acontecer, dependendo
do contexto em que a organização está inserida e do seu
gerenciamento maior em relação a mudanças para aumentar a
competitividade.
A pré-fase
é importante pois caracteriza a verificação da melhor estratégia a
ser adotada pela organização, podendo ser caracterizada como uma
auto-análise da empresa para levantar seus pontos a favor à
participação em uma organização virtual ou contra ela e verificar
as competências e recursos necessários à disposição no momento.
É também então que se analisam as oportunidades e pressões do
mercado dentro do qual se encontra a organização.
De
posse dessas informações, há condições de chegar a uma decisão:
permanecer só, adquirir ou fundir-se a outra companhia, ou então,
formar uma organização virtual com outros parceiros.
A fase
de identificação da oportunidade acontecerá posteriormente à pré-fase,
ou será a primeira fase do ciclo de vida. Neste caso, ela se define
como a necessidade de criar vantagens competitivas, servindo como
disparo para formar a organização virtual, sendo assim caracterizada
como “oportunidade”. Naquele caso, pode ser definida como a
identificação da oportunidade de formar uma organização virtual
apresentada pelo mercado no qual as companhias que desejam cooperar (já
atravessaram a pré-fase) estejam inseridas. Ela não acontecerá se a
verificação da necessidade de formar uma organização virtual for
causa suficiente para o disparo da próxima fase.
É
importantíssima pois trata dos componentes que irão interagir e
produzir na organização virtual, necessitando serem cuidadosamente
selecionados, pois eles devem possuir os recursos e competências
suplementares adequados. Porém, será muito difícil encontrar um
parceiro que se enquadre exatamente em um perfil ideal. Portanto,
devem-se escolher aqueles mais próximos dos requisitos mínimos para
o preenchimento da ‘vaga’.
A
procura de parceiros poderá partir de uma companhia iniciadora, ou
ser discutida entre todos os parceiros potenciais.
Esse
processo requer muitas interações entre os parceiros potenciais,
pois é muito importante para todo o restante do ciclo a ser
percorrido. Nesta fase são definidas a divisão do trabalho, as
regras para a operação, a divisão dos lucros e a infra-estrutura
necessária para a cooperação. Já existe alguma união, mesmo que
pouco coesa. Alguns parceiros potenciais podem sair fora da organização
virtual em nascimento, mesmo antes de integrá-la, por não
concordarem com a negociação.
Tudo o
que foi negociado na fase anterior, agora será estabelecido como um
contrato, consolidando a definição dos padrões, dos objetivos da
infra-estrutura e das metas componentes da organização virtual. Os
parceiros “assinam um contrato” para estabelecer o
comprometimento, que pode ser visto como uma plano de ação ou,
simplesmente, um tratado de confiança.
A
etapa da implementação pode ser caracterizada como aquela em que se
constrói a infra-estrutura para a cooperação e se verifica a
padronização. Também é nela que acontece um nivelamento dos
recursos da infra-estrutura (todos os parceiros operam com recursos
computacionais semelhantes).
É
quando acontece a produção real ou geração de valores. Nesta fase,
o trabalho é desenvolvido de acordo com os objetivos já definidos
previamente, ou seja, é a etapa em que os parceiros desenvolvem o
produto proposto por aquela organização virtual.
É o
rearranjo (relançamento) ou o término da organização virtual. Ao
final do ciclo, ou a organização virtual se propõe a percorrer
outro ciclo e se relança, definindo um outro objetivo, ou então ela
se dissolve e a organização virtual chega ao fim.
Embora
alguns autores desconsiderem esta fase, no ciclo de vida proposto por
este trabalho ela é incluída, devido ao fato de ser a sua existência
propícia à avaliação de tudo o que foi desenvolvido pela organização
virtual.
Assim
como nas análises anteriores exibidas, o ciclo de vida pode ser
representado em forma de diagrama, como um modelo mais abrangente, com
é mostrado na Figura
6
, a seguir:
Figura 6
– Um Modelo do Ciclo de Vida de uma Organização Virtual
A
linha pontilhada entre a Pré-Fase e a Procura de Parceiros indica a
possibilidade de entrar diretamente na última citada, no caso de a
oportunidade de formar uma organização virtual ser o resultado da análise
feita na Pré-Fase e ser causa suficiente para o início da procura de
parceiros. Isso não exclui a possibilidade de haver também a
passagem por esta fase em outra situação.
A
linha pontilhada entre a Operação e a Implementação se deve ao
fato de, estando a Operação em andamento, pode haver a necessidade
de algum outro recurso ainda não implantado por falta de
planejamento, ou por outro motivo de exceção.
Já a
linha pontilhada entre as fases de Operação e Procura de Parceiros
será percorrida quando for preciso acrescentar ou substituir um novo
parceiro à organização virtual já composta. O restante do ciclo
deverá ser percorrido muito rapidamente nesse caso.
7
Estudo de Caso – Protem-CC
No
final de 1989, o CNPq, em contraposição à sua forma tradicional de
ação, que estimula, de certa forma, um isolamento dos pesquisadores
e seus projetos, na sua maior parte, realizados em apenas uma instituição,
inicia um novo e inovador programa na área de Ciência da Computação:
o projeto Protem-CC (Projeto Temático Multinstitucional
em Ciência da Computação
), com o objetivo de promover efetivamente a integração
multinstitucional através da cooperação entre grupos de pesquisa
(consolidados e emergentes) em torno de temas estratégicos de
interesse nacional. A essência do projeto, portanto, determina a
cooperação mútua de grupos de pesquisa para o desenvolvimento científico
e tecnológico da computação no Brasil, o que o caracteriza como um
caso particular de organização virtual, mesmo que em nível acadêmico.
Assim
como as organizações virtuais, o projeto Protem-CC apresenta um
procedimento mais ou menos padronizado para sua formação, que pode
ser visualizado na forma de um ciclo de vida, contendo a seguinte
descrição para cada uma de suas fases:
7.1.1
Pré-fase
Verificação,
por parte do CNPq, da necessidade de mudança em relação à forma de
apoio à pesquisa, que tradicionalmente era orientada ao financiamento
de pesquisas
em nível individual. O
projeto PROTEM-CC, mudaria a forma de apoio e promoveria o
financiamento a grupos de pesquisa ao invés de pesquisadores
individuais. A análise do ambiente interno é apresentada a seguir na
Tabela
1
, e do ambiente externo, na Tabela 2:
Tabela
1
– Ambiente Interno
|
Forças
|
Fraquezas
|
|
Parceiros
com perfis complementares
|
Conflito
de interesses/concorrência interna intragrupos
|
|
Eficácia
potencial decorrente da integração de esforços
|
Conflito
de metodologias (GruposXGrupos); (UniversidadesXEmpresas)
|
|
Favorecimento
da potencial aproximação universidade/empresa
|
Heterogeneidade
do grupo
|
|
Experiência
múltipla de competência
|
Distância
geográfica dificultando comunicação e decisão
|
|
Motivação
gerada por projeto de porte e esforço conjunto
|
Intransigência
da parceiros na defesa de seus padrões e soluções
|
|
Potencial
aperfeiçoamento do pessoal envolvido
|
Dificuldade
de gestão
|
|
Contratos
internacionais já estabelecidos com alguns parceiros
|
Dificuldade
de manter a cooperação com parceiros muito distantes
|
|
Projeto
não-dependente de uma única entidade
|
Necessidade
de coordenação mais eficiente
|
Tabela
2
– Ambiente Externo
|
Oportunidades
|
Ameaças
|
|
Apoio
governamental/incentivo à modernização
|
Não
concretização de políticas de financiamento
|
|
Mudanças
pragmáticas em curso em face de contundentes necessidades
nacionais
|
Estado
de obsolescência de equipamentos e instalações nos laboratórios
de pesquisa nacionais
|
|
Possibilidade
à vista de investimentos consideráveis via projeto tipo PADCT
para computação a partir de 1991
|
Inexistência
de investimentos industriais na pesquisa
Instabilidade
na política econômica do país
|
|
Necessidade
(em massa) de pessoal qualificado
|
Atraso
tecnológico atual
|
|
Desafio
provocado pela abertura ao mercado internacional (fim da reserva
de mercado)
|
Fim
da reserva de mercado
Carência
extrema de pessoal qualificado face às necessidades nacionais
|
|
Consolidação/estabelecimento
de esquemas cooperativos – parceria – entre
pessoas/entidades participantes
|
Instabilidade/descontinuidade
de linhas de financiamento
|
7.1.2
Fase 2: Identificação da
oportunidade
A
existência de grupos fora da estrutura de pesquisa dos grupos
consolidados, a possibilidade de distribuição de recursos entre as
diversas instituições brasileiras pelo CNPq e todos os pontos a
favor de uma organização virtual levantados nas análise anteriores
foram os agentes que oportunizaram a organização virtual. Por meio
dessa organização seria proposto um projeto cooperativo chamando
todos os grupos de pesquisa brasileiros.
7.1.3
Fase 3: Procura de Parceiros
Para
controlar a complexidade da tarefa da formulação de projetos do
programa PROTEM-CC, e posteriormente, ter facilitada a sua administração,
bem como para reduzir os custos associados ao deslocamento de
pesquisadores, a apresentação dos projetos de pesquisa ficou sob a
responsabilidade de cinco coordenações regionais, abrangendo as
seguintes regiões: Nordeste, Centro-Oeste, Rio de Janeiro, São Paulo
e Sul. Em cada região, uma instituição sediou a coordenação
regional, assumindo as atividades de coordenação e as
administrativas, por meio de um coordenador regional.
Os
grupos escolhidos são as sedes dos cursos de pós-graduação
em Ciência da Computação
bem estabelecidos no país, ou seja, os grupos consolidados que teriam
o papel de “âncora” em cada região.
Em 15
de março de 1991 foi realizada a primeira reunião na sede do CNPq,
entre os coordenadores regionais, membros do CA-CC e pessoal técnico
do CNPq. Nesta reunião ficou evidenciada a pouca experiência
existente para o desenvolvimento de um projeto deste porte.
7.1.4
Fase 4: Negociação entre os
Parceiros
No nível
nacional, 13 pessoas participaram ativamente na elaboração do
projeto. Destas, 5 foram os coordenadores regionais e mais 2
colaboradores; 4 são membros do corpo técnico do CNPq e 3 são
membros do CA-CC, um grupo de trabalho inovador ao utilizar o correio
eletrônico como uma tecnologia a serviço da cooperação. As
diferentes sedes das coordenações regionais, bem como a do CNPq, estão
interligadas através da Internet, que permitiu a interconexão dos
participantes do projeto.
No
CNPq foi instalada uma lista de discussão “PROTEM-CC”, na qual se
cadastraram os treze participantes referenciados. Desta forma é possível
manter uma discussão assíncrona entre todos os membros, o que
facilita a coordenação das atividades e comunicações. Esta
ferramenta permitiu suportar a troca eficiente de opiniões, a
participação no planejamento de membros dispersos nacionalmente e a
resolução de problemas específicos durante a elaboração dos
projetos no âmbito do programa.
Na
etapa de preparação do projeto, as mensagens mais freqüentes foram
as comunicações sobre o andamento dos trabalhos, organização da
agenda do projeto e organização dos grupos. Todas estas mensagens
estão relacionadas com a organização do grupo, distribuição e
cobrança de tarefas específicas, que são essencialmente tarefas de
coordenação. A única classe de mensagens ligada ao conteúdo do
projeto, com algum destaque, foi a alocação de recursos, essencial
para que os diversos grupos de pesquisa dele participassem. O fato de
o CNPq ter distribuído, na etapa de preparação, um modelo de
projeto pré-formatado, seguramente contribuiu para que o número de
mensagens relativas ao conteúdo fosse reduzido.
7.1.5
Fase 5: Comprometimento
Levando
em consideração que esta fase nada mais é que o resultado da fase
anterior, na qual tudo o que foi negociado será agora estabelecido
como um contrato, o comprometimento foi estabelecido quando os
parceiros vislumbraram a organização virtual, na forma de um
planejamento estratégico, fruto de reuniões sediadas em Brasília
entre dirigentes, técnicos e assessores do CNPq (membros do CA-CC),
bem como de uma intensa troca de mensagens via correio eletrônico,
por sua vez geradas a partir de reuniões locais (isto é, de âmbito
regional e/ou de natureza temática) realizadas nas várias regiões
do pais: Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, entre pesquisadores da
área.
7.1.6
Fase 6: Implementação
Na
fase de comprometimento, quando foi definido o planejamento estratégico,
ficou estabelecido que, dentro de cada região, deve-se ter os
parceiros para integração multinstitucional. Com isso, pode-se
introduzir o conceito de sub-redes para a procura de parceiros, a
negociação, o comprometimento e a implementação dessa sub-rede em
cada região, o que será mais detalhado no próximo ciclo de vida,
que acontece dentro e paralelamente a este.
7.1.7
Fase 7: Execução (Operação)
Os
resultados desta fase podem ser atingidos pela execução dos projetos
de pesquisa individuais e serão mais detalhados no próximo ciclo de
vida, dentro das fases de execução (operação) e avaliação, término
ou rearranjo.
O uso
do termo execução, dado à fase de operatória, se deve ao fato de se
tratar de um projeto cooperativo e portanto, este caso particular
requerer uma pequena diferença na designação para a fase de geração
de valores.
Da
mesma forma, logo a seguir teremos incluso o termo avaliação,
etapa que todo o projeto de pesquisa deve atravessar e que mudará o
nome da fase de rearranjo ou término deste ciclo de vida para Avaliação,
Rearranjo ou Término.
7.1.8
Fase 8: Avaliação, Rearranjo ou Término
O
projeto PROTEM-CC, assim como todos os projetos de pesquisa no âmbito
do CNPq, tem como última etapa, a avaliação final.
A
avaliação global, neste caso, foi realizada com base no estímulo à
criação de projetos cooperativos. O principal critério para definir
os resultados obtidos foi o número de parceiros criados. Outro
indicador objetivo foi a comprovação da equivalência entre o número
de projetos propostos e o valor solicitado nos mesmos, e a quantidade
e o volume de recursos para os projetos submetidos tradicionalmente ao
CNPq.
Objetivo
atingido: aumento da demanda qualificada
em Ciência da Computação
, com a geração de projetos de melhor qualidade e abrangência.
Figura
7
– Ciclo de Vida em PROTEM-CC
8
Conclusões
Este
artigo apresentou várias abordagens pelas quais as organizações
virtuais podem atravessar o seu ciclo de vida. Um modelo de ciclo de
vida com um nível maior de detalhamento das fases foi desenvolvido
com base nesses estudos, caracterizando-se como um ciclo de vida mais
abrangente.
Ressalta-se
ainda que não se pode ter uma posição definida quanto a qual das
abordagens é a melhor, pois os estudos a esse respeito estão apenas
começando. Porém, pode-se dizer que a melhor forma de visualizar os
ciclos de vida apresentados na realidade de uma empresa virtual em
formação vai depender de muitos fatores (mercado, objetivos etc.),
os quais se mostram no contexto em que a organização virtual ou real
estiver inserida.
9
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